Durante mais de trinta anos, duas famílias rivais brigaram numa pequena cidade no interior da Espanha. Agora, são os jovens que sofrem as conseqüências dessa rixa, colocando em risco a vida de todos. O roteiro é baseado numa história real.
- Por Alysson Oliveira
- 14/04/2005
- Tempo de leitura 2 minutos
É difícil saber o que o veterano cineasta espanhol Carlos Saura (Salomé, 2002) e o roteirista Ray Loriga (Carne Trêmula, 1997) tinham em mente quando imaginaram o drama O Sétimo Dia. Seja lá quais fossem as expectativas, elas ficaram bem abaixo do potencial da história que, aliás, é muito mal contada. Descrito como uma espécie de Elefante numa Espanha rural num domingo sangrento, a força da tragédia é toda diluída com o excesso de personagens e dramas paralelos que não contribuem em nada no saldo final.
Em ritmo de novela rural de horário nobre da Rede Globo escrita por Benedito Ruy Barbosa – sem a inspirada direção de Luiz Fernando Carvalho, diga-se de passagem- O Sétimo Dia começa com uma noiva abandonada no altar e segue cerca de trinta anos de rivalidade e derramamento de sangue entre as duas famílias. Na verdade, o casamento desfeito é apenas uma desculpa para deflagrar a guerra entre as famílias, que sempre disputaram divisa de terras.
Em poucas cenas, os anos passam marcados por tragédias causadas pelas famílias, até que a história se estabelece no tempo presente, mostrando a jovem Isabel (Johana Cobo, Sem Notícias de Deus), também narradora do filme, a filha adolescente de uma das famílias. O roteiro cai naquela armadilha que sempre é armada em filmes narrados em primeira pessoa. Existem fatos descritos por Isabel no quais ela não estava presente e ninguém contou a ela, como um ataque paranormal da família inimiga.
Talvez o maior grande equívoco da história seja a opção de dar a todos os personagens os seus quinze minutos de fama, transformando todo mundo em protagonista nem que seja apenas de uma cena. Dessa forma, tudo fica apressado demais e pouco explicado, comprimido em pouco mais de 100 minutos. Até mesmo os personagens principais têm histórias que em nada contribuem para a crônica da tragédia anunciada que o filme se propõe a ser. Isabel namora um forasteiro que trabalha de salva-vidas e trafica drogas. O namoro adolescente acaba bem antes do clímax e nunca foi um marco divisor de águas na vida da menina.
O roteiro é baseado num fato real, que aconteceu numa região rural da Espanha no início dos anos 90. Uma tragédia de proporções quase épicas que acabou se perdendo numa teia de personagens mal explicados, que nunca dizem a que vieram. Talvez O Sétimo Dia funcionasse melhor se fosse apenas o primeiro capítulo de um novelão, que se arrastaria por oito ou nove meses e, ao menos, exploraria dramas pessoais, cada um no seu tempo certo.
