30/06/2026
Documentário

A Corporação

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Produzido no Canadá e baseado em um livro homônimo de Joel Bakan, o documentário A Corporação chega aos cinemas com a tarefa de se igualar em impacto às produções dos diretores Michael Moore (Farenheit 11/9, Tiros em Columbine) e do histérico Morgan Spurlock (Super Size Me – A Dieta do Palhaço). Com críticas virulentas ao sistema capitalista, à globalização e, em especial, às grandes corporações americanas, o filme traz ao espectador uma mensagem alarmante da falta de escrúpulos e qualquer moral das empresas que dominam o mercado e os meios de comunicação.

Diz a regra, que o crítico deve se ater à qualidade técnica das produções que analisa, em maior grau do que suas impressões sobre a temática do filme. No entanto, o documentário A Corporação é um caso atípico. Afinal, a produção não tem um tratamento ou brilho excepcionais, tornando-o quase um programa televisivo.

Porém, a agilidade com que concatena as denúncias sobre a amoralidade do capital, unindo aqui inimigos da globalização, como Noam Chomsky, Naomi Klein, Milton Friedman e Michael Moore, torna o filme uma das grandes estréias do ano. A narrativa veloz e incisiva faz o espectador se deleitar e questionar sua própria conduta durante as duas horas de projeção, que podem passar despercebidas para os espíritos mais inquietos.

Cabe falar do excelente trabalho de Joel Bakan, com sua contribuição para o produção do roteiro, e da dupla de diretores Jennifer Abbott e Mark Achbar, que conseguiram dar dinamismo a um tema complexo, que facilmente poderia cair em uma rede de clichês esquerdistas. Uma felicidade para o espectador, que busca algo novo e interessante.

Para isso, o documentário tem uma linha argumental bem definida: revela os artifícios legais americanos que tornam uma corporação uma “pessoa“, com direitos e obrigações definidas pela legislação. Seguindo por esse viés, o filme questiona o comportamento, conduta e desejos dessa empresa, vista pela ótica legal. Amorais, única e exclusivamente motivadas pela busca de benefícios aos associados, as corporações aparecem como grandes vilãs do mundo contemporâneo.

Um caso curioso é um teste psiquiátrico proposto pela Organização Mundial de Saúde. Como judicialmente são vistas como pessoas de direitos, Joel Bakan demonstra que elas se enquadrariam em um perfil de psicopatia crônica. Isto é, elas são uma ameaça para a população, tal como é comprovado pelo FBI durante as duas horas de diversão esclarecedora.
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