19/07/2026
Drama

A Cor do Paraíso

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Há anos a produção iraniana tornou-se sinônimo de ateliê cinematográfico capaz de extrair poesia da simplicidade mais extrema de recursos, reeditando a essência do neo-realismo italiano nos anos 50. Essa característica construiu um conceito que desfruta de prestígio no círculo dos espectadores cinéfilos, que costumam acompanhar a carreira dos cineastas mais notáveis daquele país, como Abbas Kiarostami, Mohsen Makhmalbaf, Jafar Panahi e Majid Majidi, diretor deste filme.

Nascido em 1959 e com uma carreira de ator no currículo, Majidi tornou-se famoso depois da indicação de Filhos do Paraíso (1997) ao Oscar de filme estrangeiro. No Brasil, dois de seus trabalhos anteriores, Baduk (1992) e O Pai (1996), haviam sido exibidos na Mostra Internacional de São Paulo. Lamentavelmente, este seu filme não tem nada de notável.

O protagonista é Mohammad (Moshen Ramejani), um menino de 8 anos, cego de nascença, e que vive longe da família, numa escola especial em Teerã. Seu pai (Hossein Mahjub) é viúvo, tem duas outras filhas sem deficiências (Elham Sharifi e Farahnaz Safari) e reluta enormemente em aceitar o filho. Sua rejeição ao menino piora mais ainda depois do projeto de contrair um novo casamento.

Homem pobre, ignorante e rude, o pai não se comove com a ternura do menino nem com a insistência da avó paterna (Salime Feizi) de que ele aceite Mohammad na família. Faz de tudo para manter o menino longe, uma situação que acabará trazendo a tragédia sobre a família - um desfecho que está mais para novelão mexicano do que para a usual delicadeza do cinema iraniano.

Cineweb-26/7/2002

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