Arte... não foge à regra do universo Labutiano – cujo exemplar mais notável até então é Na Companhia de Homens (1997), filme-controvérsia em que dois executivos mal amados se unem para seduzir uma surda e depois dispensarem-na concomitantemente. Mas desta vez, a misoginia é às avessas. A principal personagem feminina, Evelyn (Rachel Weisz, de Constantine) talvez até tivesse uma ou duas coisinhas para ensinar para os chauvinistas do outro filme.
Ela é uma estudante de arte, que durante uma visita a um museu conhece Adam (Paul Rudd, de Regras da Vida). Os dois são opostos. Enquanto ela é descolada e estilosa, ele é careta, quadradão. Mas mudanças estão por vir. Everly intere em tudo na vida dele, desde as roupas até o que dizer e pensar. Os primeiros a notarem as mudanças são Jenny (Gretchen Mol) e Phillip (Fred Weller) antigos amigos do rapaz que estão prestes a se casar.
Mas não seria um autêntico Labute sem o machista. Eis que entra Phillip em cena, com suas idéias bem retrógradas sobre as funções e diretos da mulher, batendo de frente com os ‘ideais libertários’ de Evelyn.
Verborrágico, com poucos personagens e cenários, é pouco provável que Arte... consiga rompem a esfera dos fãs do cineasta. Seu desenrolar, embora previsível, é contundente. O confronto final é a prova de que o mundo atual valoriza a forma sobre o conteúdo. Ou um sinal de que Labute não crê na salvação da sociedade estético-consumista dos nossos dias. E, segundo ele, estamos cada vez mais próximos do abismo. O que é bem verdade.
