No entanto, enquanto os protagonistas de Closer são solteiros que começam a sair de relações passageiras, os quatro personagens centrais de Tentação formam sólidos casamentos com filhos. Portanto, conhecem o desgaste causado pelo estresse da convivência, como também devem enfrentar as difíceis responsabilidades familiares e conjugá-las com o adultério. Nesse ponto, pode-se trabalhar também com o primeiro filme de Nichols, Quem tem Medo de Virginia Wolf ?, cujos personagens se assemelham, seja pelos professores universitários, seja pelo fato de uma das mulheres ser alcoólatra (papel que rendeu um Oscar a Elizabeth Taylor).
Baseado em dois contos de Andre Dubus (We Don’t Live Here Anymore e Adultery), Tentação, no entanto, pode ser considerada apenas como uma irmã menor dessas produções. Apesar do roteiro enxuto e do excelente elenco, o filme não reserva ao espectador nada de excepcional. Curiosamente, a mesma impressão que se teve em 2003 (excelentes performances e bom roteiro, mas genérico) com Entre Quatro Paredes, do diretor Todd Field, também baseado em textos de Dubus.
Seja como for, o quarteto Jack (Mark Ruffalo), Terry (Laura Dern), Hank (Peter Krause) e Edith (Naomi Watts) se apresenta como amigos inseparáveis até que Jack e Edith se apaixonam. Em vez de pedir o divórcio aos seus respectivos cônjuges, preferem estimular o adultério entre eles. Ou seja, algo como se viu em O Quatrilho. A amizade torna-se então, ao mesmo tempo traição e conveniência. Tudo recheado de discussões carregadas de ódio e ironia, com algumas cenas ocasionais de sexo - intencionalmente anti-eróticas.
Enfim, são pessoas à deriva em suas emoções, presas a situações que elas próprias criaram e que as imobiliza. Não deixa de ser uma visão pessimista de relacionamentos, que coloca em xeque valores e mostra a idéia de amores fluidos – volúveis e passageiros. O espectador pode não encontrar muitas novidades na história, mas ser contada de forma tão familiar torna a produção um destaque.
