21/07/2026
Drama

A Selva

Em 1912, um jovem monarquista (Diogo Morgado) torna-se perseguido político depois de integrar uma rebelião contra a entrada da república em Portugal. Fugindo para o Brasil, esconde-se na selva amazônica, onde só acha trabalho como garimpeiro. Seu patrão (Cláudio Marzo) percebe que o rapaz tem educação e promove-o para um emprego como contador. Aí, o jovem envolve-se com a única mulher do lugar, Yayá (Maitê Proença), casada com o gerente do seringal (Gracindo Jr.).

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Pronto há três anos e exibido com pouca repercussão e sem prêmios no Festival de Gramado de 2003, esta co-produção luso-brasileiro-espanhola dirigida por Leonel Vieira procura firmar-se em apostas que acredita seguras. Parte de um romance consagrado do autor português Ferreira de Castro, publicado em 1930. Escolhe como locações a Amazônia, onde as filmagens duraram dois meses em plena selva. E, num elenco predominantemente brasileiro, escala vários atores conhecidos de novelas e do cinema: Maitê Proença, Cláudio Marzo, Gracindo Jr., Roberto Bonfim e Chico Díaz. Mas a mistura não dá muito certo.

O protagonista Alberto (o jovem ator português Diogo Morgado) é um monarquista que, em 1912, participa da última e malsucedida rebelião para impedir a chegada da república a Portugal. Para escapar à prisão, foge para o Brasil, onde encontra emprego num seringal. Sem outra opção, aprende o ofício de seringueiro do colega Firmino (Chico Díaz), um matuto que lhe ensina também algumas espertezas de que o jovem intelectualizado e urbano necessita para sobreviver num ambiente que lhe é adverso em tudo.

O refinamento de Alberto não escapa aos olhos de Juca Tristão (Cláudio Marzo), que o transfere para o trabalho contábil no armazém do seringal, que é de sua propriedade. Introduzido no restrito círculo em torno de Tristão, Alberto vive uma paixão incontrolável com a bela esposa do gerente local (Gracindo Jr.), dona Yayá (Maitê Proença).

Colocando grande ênfase na hostilidade da natureza e, especialmente, na violência dos índios contra os brancos – um detalhe que o escritor brasileiro Milton Hatoun considera um traço preconceituoso do autor do livro – o filme embarca num grande maniqueísmo. A dramaturgia precária não sustenta o interesse na história, que fica parecendo uma novela malfeita.

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