Mesmo baseado numa história real, o longa de Courtois nunca rompe a barreira esquemática nem imprime emoção nos seus personagens e atos. Noriega é Txema, um rapaz de classe média que luta contra dificuldades financeiras para sustentar sua família. Ele é muito amigo de diversos membros da ETA. Um policial se aproxima do rapaz pedindo que ele se infiltre no grupo. Depois de uma dúvida inicial, ele acaba aceitando, após receber um cheque graúdo do serviço secreto, e adota o codinome Lobo.
Txema também se envolve amorosamente com Amaia (Melanie Doutey), que inocentemente acaba lhe fornecendo exatamente as informações que o serviço secreto queria. A tensão dentro do grupo começa a aumentar e Lobo já não sabe se consegue manter o seu esquema duplo.
Courtois tem boa mira em O Lobo. No entanto, acaba perdendo-se durante a execução. Muitas vezes, seus terroristas ganham ares glamourizados, deixando em segundo plano a figura humana e os conflitos daqueles que pegam em armas e explodem bombas pensando em mudar o país. Certamente é um assunto complexo demais para ser esgotado num filme, mas, a exemplo de Belocchio, o diretor espanhol poderia ter injetado um pouco mais de drama, ao invés de privilegiar o thriller político, que em muitas cenas se torna frouxo, como um simples bang-bang.
No ano passado, foi indicado a cinco prêmios Goya, ganhando nas categorias montagem e efeitos especiais. As outras indicações foram para ator principal (Noriega) atriz coadjuvante (Silvia Abascal) e diretor de produção.
