Dustin Hoffman e Lily Tomlin são os Jaffes, uma dupla de detetives existencialistas ‘contratados’ pelo ambientalista Albert Markovski (um ótimo Jason Schwartzman), mas como ele é pobre eles aceitam fazer o serviço em pro bono. O rapaz é um ambientalista que está comemorando ter conseguido salvar uma pedra. Para tal, ele compõe um poema terrível. Nas não é bem isso que o tem incomodado. Seu problema existencial está no fato de ter encontrado três vezes em lugares distintos um afro-americano que ele não conhece. É para descobrir a razão dessas coincidências e o quanto isso afeta em sua vida que ele procura os detetives.
Apesar da insistência de Albert para a dupla ficar longe de seu ambiente de trabalho, eles não respeitam isso e descobrem que o grande problema de Albert está na verdade em Brad Stand (Jude Law), um ambicioso executivo de uma loja de departamentos, que ‘vende de tudo, chamada Huckabees, feita aos moldes da Wal Mart. O jovem ambientalista crê que está sendo usado por Stand que pretende salvar uma área verde da destruição – mas na verdade só usa isso para se promover.
Stand acaba contratando o casal de detetives para investigar sua própria vida, o que causa uma crise no seu relacionamento com a modelo Dawn Campbell (Naomi Watts), a ‘voz e cara’ da Huckabees. Ela acaba mudando radicalmente, querendo valorizar sua inteligência, passa a usar roupas largas e fora de moda.
Albert também não está nada contente com a intrusão de Stand, e como forma de recompensa-lo, os detetives o apresentam para o que eles chamam de seu ‘outro’, Tommy (Mark Wahlberg), um bombeiro pró-ecologia que odeia as empresas de combustível. Será ele que apresentará ao ecologista a filósofa francesa Caterine Vauban (Isabelle Huppert), uma ex-pupila do Jaffes que se rendeu ao lado negro do individualismo niilista.
O cineasta Russell, ao lado de Wes Anderson, P. T. Anderson, Spike Jonze e Alexander Payne há alguns anos é visto como um daqueles poucos talentos possíveis de tirar Hollywood do marasmo em que cai a cada novo filme, quando os veteranos desistem de ousar e ficam cada vez mais convencionais. Huckabees escrito pelo diretor e Jeff Baena é prova de que existe vida inteligente e comédia sofisticada por lá.
Embora numa primeira vista, o longa possa remeter ao cinema de Jonze/Kaufman, Huckabees está bem mais próximo de Gondry/Kaufman e seu Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças ao propor questões sobre a identidade e a existência de cada um. Russell tem um apelo visual que cresce à medida em que a busca dos sentido da vida da lugar a uma deliciosa histeria que pode incomodar muita gente. Longe que querer propor respostas, o cineasta joga no roteiro perguntas, possibilidades, e brinca com tudo isso. Ao fim, ele prova que este é um mundo que fica mais louco a cada dia, e está longe de chegar perto do que é normal (seja lá o que isso é), e que a vida pode não ser engraçada, mas muitas vezes é uma comédia.
Lançado no Brasil diretamente em DVD.
