25/08/2026
Comédia

O Homem das Novidades

Luke (Buster Keaton) é um fotógrafo que vive de trabalho esporádico nas ruas. Um dia, conhece a bela Sally (Marceline Day), secretária de uma empresa noticiosa. Para ganhar seu coração, ele decide que vai tornar-se cinegrafista. Vende sua máquina fotográfica, compra uma câmera de segunda mão e começa a correr atrás das notícias.

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Buster Keaton sempre se arrependeria de uma decisão que tomou em 1928. Ele desistiu de manter sua produtora independente, fazendo um contrato com a MGM. O contrato, que lhe garantia um pagamento de US$ 5 mil dólares semanais – polpudo, ainda mais naquela época – teve um sabor amargo. Keaton perdia toda a liberdade artística que o mantinha vivo. Limitado pela obrigação de obedecer a scripts previamente aprovados, sem poder mais improvisar, ele começou a definhar e entrou em depressão e franco declínio.

Nenhum sinal disso é visível aqui, neste que foi o primeiro filme feito sob a nova condição. Último filme mudo de Keaton, o trabalho revela sua extraordinária capacidade de criar “gags”, num humor poderosamente físico, combinado àquele olhar esquisitão, num “rosto de pedra”, como foi definido por nunca sorrir em cena.

Interpretando seu habitual personagem do homem comum dividido entre sonhos aparentemente impossíveis e dificuldades patéticas, Keaton é Luke Shannon, um fotógrafo que vive de trabalho esporádico nas ruas. Um dia, é surpreendido por um grande tumulto, causado pela passagem de um comício político. Faz duas descobertas: a beleza de Sally (Marceline Day) e o poder das novas câmeras portáteis para coberturas jornalísticas. Em termos atuais, essas câmeras em formato de caixote com tripés são geringonças enormes e desengonçadas. Mas em 1928 eram o auge da tecnologia e já traduziam a ânsia da busca da notícia imediata.

O fascínio por Sally e pelas câmeras concretiza-se no mesmo ambiente, já que a mocinha é secretária de uma empresa cinematográfica jornalística. Decidido a impressionar sua paixão, Luke vende sua máquina e compra uma câmera de segunda ou terceira mão. O equipamento está em estado lastimável e, para piorar, o seu novo dono não tem a menor idéia de como operá-la. Daí, resulta em desastre sua primeira tentativa de produzir boas imagens para conseguir um novo emprego. O patrão (Edward J. Blake) o põe para fora quase a pontapés.

Nas ruas em que procura as notícias, Luke tem experiências incríveis. Pega carona com um carro de bombeiro, mas, para sua surpresa, ele está apenas indo para a garagem. Entrando no estádio vazio dos Yankees, ele deixa de lado sua câmera e protagoniza um insólito jogo de beisebol solitário – uma das seqüências mais interessantes do filme.

Suas iniciativas românticas também sempre o colocam em confusão – como na seqüência em que levou sua bela à piscina pública e perde o calção. Uma outra cena impagável é quando ele divide o vestiário com um gordo de maus bofes, sem espaço para que nem um, nem o outro, se troquem direito.

O clímax é mesmo a seqüência em que Luke vai cobrir uma guerra de gangues no bairro chinês. O câmera instala-se num canto e filma tudo na maior calma, como se não houvesse nenhum tiroteio ao seu redor, ajudado por um engraçado macaquinho – que rouba muitas cenas. No fundo, o filme não deixa de ser uma espécie de metáfora para tudo o que Buster Keaton tentou ser: um artista que lutou a todo custo para manter sua integridade. Isso ele conseguiu.

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