21/07/2026
Drama Comédia

Alila

Os moradores de um conjunto habitacional em Tel Aviv são o foco desta comédia dramática. Hezi e Gabi mantêm um caso, mas todos os vizinhos sabem porque ela nunca pára de gritar quando sente prazer. Enquanto isso, um casal de vizinhos tenta localizar o filho que abandonou o exército. Outros personagens povoam esse mundo tenso da periferia da cidade, em que árabes, judeus e estrangeiros convivem lado a lado.

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Alila é um drama – com toques de humor – diferente na filmografia de Amos Gitai. O diretor é conhecido por seus filmes de alto teor político, como Kadosh – Laços Sagrados e Kedma. Aqui ele traça um painel sociológico da periferia de Tel Aviv, colocando vários personagens num conjunto de apartamentos.

Hezi (Amos Lavie) aluga um quarto para a sua amante Gabi (Yael Abecassis), que não consegue se expressar em voz baixa quando sente prazer – o que incomoda os vizinhos. O roteiro, escrito por Gitai, baseado num livro de Yehoshua Kenaz, coloca ao lado da história do casal o dilema de uma família cujo filho não se apresentou no exército e agora é um fugitivo.

Enquanto o filme transita entre uma história e outra, Gitai preenche as lacunas com outros dramas menores de seus personagens, que formam um grande mural de uma sociedade tensa que parece a ponto de explodir. E a explosão chega. Não que seja devastadora, mas existe uma mudança na vida daquelas pessoas quando cai uma forte tempestade.

Gitai opta pelo intimismo e em momento algum chega perto do grandioso. Seu filme é composto de pequenos momentos na vida de pessoas simples, sem muitas coisas interessantes – aos olhos menos atentos– mas que para eles são importantes.

De todo esse ensemble, o personagem mais marcante certamente é Ronit (Ronit Elkabetz). Com um topete gigantesco, jeito espalhafatoso, a maior surpresa do filme é a sua profissão – revelada só perto do final. Ela mais parece ter saído de um filme de Almodóvar do que de Gitai. E é Ronit também quem garante alguns dos momentos mais cômicos do filme, já que que não mede as palavras.

A pincelada crítica do cineasta fica por conta de explorar a relação entre árabes e judeus que são obrigados a dividir o mesmo espaço – ou quando aborda o preconceito velado que existe entre os próprios judeus.

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