O grande problema desses suspenses metidos a espertinhos é que eles não se sustentam quando chegam no final. É como se o diretor e o roteirista tirassem uma solução mirabolante da cartola, deixando sua platéia atônita com o final-supresa. A diferença desse tipo de thriller para um eficiente, é que os do segundo tipo dão pistas ao longo da história (umas verdadeiras e outras falsas) para que quem vê o filme possa montar o quebra-cabeça e eventualmente descobrir a solução. Em O Terceiro Olho o interesse pela solução acaba depois da segunda reviravolta das centenas que não fazem sentido, nem mantém ao menos uma lógica interna.
Ryan Phillipe é Simon Cable que na primeira cena acorda no hospital e o médico lhe diz que ele morreu... por dois minutos, mas foi ressuscitado. Mas ele não se lembra de nada. A primeira parte acontece com muitos filmes de amnésia, tudo é novidade para o personagem, o ambiente, sua vida, até mesmo sua mulher (Piper Perabo).
Depois quando está se preparando para um exame algo de estranho acontece, e ele volta no tempo (!) em dois anos, mas sem sair do hospital. Aparentemente naquela época sofrera um acidente de carro e foi parar na instituição. Sua mulher, agora, é uma enfermeira, simplória e amedrontada. Ele estava com o irmão, que acaba morrendo.
Cenas depois, o tempo é o presente. Mais tarde volta ao passado, quando a enfermeira Anna o chantagia. Aparentemente ela gravou as últimas palavras do irmão moribundo dizendo que Simon o matou – até porque toda enfermeira que se preza carrega um gravador quando vai cuidar de um paciente na UTI.
A ação praticamente só acontece dentro do hospital (com algumas externas no clímax), o que vem da origem teatral do texto. O clima, o suspense e o interesse são mantidos por boa parte do filme, mas quando O Terceiro Olho entra na sua reta final, não há como evitar a cara de espanto. Não que o filme supreenda, mas as suas explicações são tão mirabolantes que não dá para levar a sério.
