Domino Harvey (Keira Knightley) é uma moça de família rica, que decide abandonar o mundo do glamour para se tornar uma caçadora de fugitivos da lei e assim conseguir recompensas. A verdade, segundo o filme, desde pequena ela nunca se adaptou à escola de freiras ou à universidade.
Depois de abandonar uma promissora carreira de modelo, ela entra para um time de caçadores de recompensas, composto por Ed Mosbey (Mickey Rourke) e Choco (Edgar Ramirez). O negócio do trio anda tão bem que eles acabam famosos e são convidados para participar de um reality show, que será apresentado por dois ex-astros, agora decadentes, da série Barrados no Baile.
A partir de então, o filme se torna uma mistura de Cops com o filme de Stone. Sem muita lógica e excesso de cortes – que dificultam à platéia pensar e concluir que o que estão vendo é uma porcaria - Domino não se importa muito em explicar ou conectar os fatos. Tudo é narrado pela protagonista em uma entrevista a uma psicóloga do FBI.
O mais difícil o roteirista Richard Kelly conseguiu acertar. Ele nunca busca explicações para o comportamento de abandono e uma quase autodestruição de Domino. Mas faltou trabalhar as idéias, concatenar os acontecimentos, contar uma história de verdade, em lugar da histeria visual típica de Scott - que também busca ecos de Cidade de Deus, dando uma visão crua da violência e chegando até mesmo a usar um ator do filme de Fernando Meirelles, Charles Paraventi.
A verdadeira Domino Harvey esteve envolvida com o projeto e aparece no final do filme, além de cantar a canção tema “Heads, you live; Tails, you die” (Cara, você vive; coroa, você morre), que era o seu lema. Porém, ela foi encontrada inconsciente em junho passado, e acabou morrendo no hospital. O diretor estava com o filme pronto e resolveu não mudá-lo, a não ser por uma dedicatória no final. Como é deixado bem claro no início, é ‘baseado numa história real ... mais ou menos’. Para a Domino da ficção, ao menos, o final pode ser feliz.
