O ator norte-americano Bill Murray encarna uma nova versão do mesmo personagem que lhe deu uma indicação ao Oscar em Encontros e Desencontros, aqui numa versão um pouco diferente. Se o personagem do filme de Sofia Coppola estava desesperado por um pouco de contato humano, desta vez ele é um personagem que descobre ter envelhecido e, até então, nunca ter feito laços muito resistentes.
Escrito e dirigido por Jim Jarmusch (Sobre Café e Cigarros), o filme apresenta Murray no papel de Don Johnston, que enriqueceu trabalhando na indústria de informática sem ao menos gostar muito de computadores.
Numa das primeiras cenas, ele é abandonado por sua jovem namorada, vivida por Julie Delpy. Quase ao mesmo tempo, recebe uma carta cor-de-rosa de um antigo amor dizendo que ele teve um filho há alguns anos. Instigado por seu vizinho (Jeffrey Wright) metido a detetive, Don faz uma lista das possíveis mulheres que poderiam ser mães desse filho. Apesar de não estar muito convencido de que precisa encontrar o rapaz, ele faz uma viagem visitando cada uma dessas mulheres.
A viagem de Don através dos EUA é uma forma de Jarmusch mostrar várias facetas da sociedade norte-americana. A primeira parada é na casa de Laura (Sharon Stone), onde é recebido pela filha dela, Lolita (Alexis Dziena). Fazendo justiça ao nome, a menina tenta seduzi-lo.
Depois irá reencontrar Dora (Frances Conroy, da série A Sete Palmos), que é uma agente imobiliária reprimida. O jantar ao lado do marido dela é um momento de monotonia e desespero para Don. Mais tarde, é a vez de falar com Carmen (Jessica Lange), uma veterinária esotérica e, finalmente, com Penny - interpretada por uma irreconhecível Tilda Swinton. Moradora de uma comunidade de motoqueiros, esta terá a reação mais estranha ao reencontro com Don.
Cada reencontro é uma possibilidade de Don reexaminar a sua vida, os acontecimentos que o levaram a ser quem é. Cada descoberta é uma chance de mudança. Encontrar o filho, ou não, é apenas um detalhe desta egotrip.
Em seu filme, Jarmusch guia-se pela formação de arquétipos norte-americanos mais do que tipos humanos. Dessa forma, ele mostra ‘a família do subúrbio’, ‘os hippies do novo tempo’, ‘a mulher independente’, entre outros. O que, de certa forma, diminui a força do filme, que perde um pouco a visão humana de seus personagens.
