Dick (o ótimo Jamie Bell, de Billy Elliott) escreve uma carta para sua amada Wendy, que não é uma namorada e sim uma arma. Ele começa contando a sua história. Filho de mineiro, o jovem se recusa a trabalhar nas minas e acaba arrumando um emprego como atendente num mercadinho. Vivendo com o pai e recebendo os cuidados da empregada afro-americana, ele não tem muitas perspectivas na vida. Até o dia em que compra um revólver de brinquedo para dar a um amigo de aniversário, mas acaba mudando de idéia e ficando com a arma. Depois, dá-lhe o nome de Wendy.
Quando seu pai morre e a empregada deixa de trabalhar para ele, Dick fica sozinho no mundo. Com a ajuda de um colega de trabalho, descobre que sua arma é de verdade e funciona. Os dois passam a se reunir para praticar tiro ao alvo em um galpão abandonado. Mesmo assim, o rapaz se diz ser um pacifista, pois a idéia é nunca usar as armas fora dali. O clube do tiro começa a crescer quando surgem a garota Susan e outros rapazes.
Eles passam a se chamar de “dandies” e têm uma verdadeira relação de amor com as suas armas, dando-lhes nomes e tratando-as como se fossem amigos. Mas nada é simples nesse universo de von Trier. Aos poucos, Dick, um pacifista inveterado, é seduzido pelo poder que o porte da arma lhe dá e se torna um paradoxo ambulante.
Nessa mesma época, o xerife local (Bill Pullman) pede a Dick para ser o agente de condicional de um jovem afro-americano que está sob vigilância. O garoto pensa em recusar, mas quer ceder à possibilidade de exercer o poder. O rapaz problemático se une ao grupo e começa uma nova fase na parceria dos dandies.
Querida Wendy foi exibido no Festival de Sundance onde causou muita polêmica – com comentários muito parecidos com aqueles feitos a Dogville, dizendo que o filme é antiamericano e que von Trier não pode criticar o país sem nunca o ter visitado. Mas nada disso abala o efeito do filme.
Com uma trilha sonora escolhida a dedo – apenas com músicas da banda Zombies – o filme é pensado para causar impacto e desconforto. Acreditar ou não nos argumentos da dupla dinamarquesa depende de cada um – mas não dá para ficar indiferente.
