18/07/2026
Drama

E Se Fosse Verdade

Elizabeth (Reese Witherspoon) é uma médica que sofre um acidente de carro. Dias depois, encontra um estranho morando em seu apartamento. Ela agora é um fantasma e não sabe disso. Com a ajuda desse novo morador, o paisagista David Abbot (Mark Ruffalo), ela irá descobrir o que aconteceu. E os dois acabam se apaixonando.

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O casal protagonista de E Se Fosse Verdade parece não acreditar muito naquela frase batida de Shakespeare que diz que “existem mais mistérios entre o céu e a Terra do que explica nossa vã filosofia”. Boa parte do filme, a dupla passa o tempo buscando uma explicação para algo que não daria para explicar. Mas, como é cinema, aqui até tem a sua ‘lógica’ interna.

O roteiro de E Se Fosse Verdade é baseado no livro homônimo de Marc Levy, um arquiteto francês radicado nos EUA, que ganha a vida escrevendo romances esotéricos e ficou milionário ao fechar um acordo com a Dreamworks. O lado místico/espiritualista do filme fica por conta de um fantasma que não desiste de abandonar o apartamento onde morara e acaba se envolvendo com o novo morador – a única pessoa capaz de vê-la.

Dirigido por Mark Waters (Uma Sexta-Feira Muito Louca e Meninas Malvadas) E Se Fosse Verdade pede de seu público uma certa abstração – parecida com aquela requerida por Ghost – Do Outro Lado da Vida. É preciso acreditar em espíritos e vida pós-morte, ou algo que o valha, para poder embarcar na viagem sugerida pelo filme. Os personagens, por sua vez, aprenderão lições de vida valiosas que jamais teriam se estivessem vivendo uma situação ordinária.

É assim que Elizabeth (Reese Witherspoon) vai descobrir que devotar a sua vida ao trabalho não lhe traz tanta satisfação como ela esperava. Mas aí também já é tarde demais, pois a garota não se encontra mais no mundo dos vivos. Ela é uma estagiária que trabalha mais que o devido no Plantão Médio de um hospital esperando uma efetivação. Na mesma noite em que consegue seu emprego, ela sofre um acidente.

Cenas mais tarde, Elizabeth está de volta a seu apartamento. Só que agora não é mais uma pessoa, mas um espectro. Porém, ela não tem noção disso. Lá irá encontrar o paisagista David Abbot (Mark Ruffalo), que está morando na sua casa como se fosse dele. E agora é. Mas ela não sabe e, quando fica sabendo, não aceita. Algumas brigas e umas cenas mais tarde descobrem que ela está morta e só ele consegue vê-la (!) – ou algo parecido.

Como ela não se lembra de nada, eles irão investigar o que aconteceu e quem ela era. Nesse processo, ambos vão aprender lições valiosas sobre a vida, o amor e o destino. Enquanto a platéia, principalmente a masculina, deve suspirar irritada depois do centésimo clichê do filme.

E Se Fosse Verdade poderia ser até um filme despretensioso e divertido não fosse pelo fato de abordar um tema sério em sua última meia hora. Tratando como factuais suposições romântico-metafísicas, conseqüentemente vai contra a posição liberal de muita gente. Certamente muito ativista vai usar esse filme como argumento quando aparecer uma nova Terry Schiavo.

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