Palavras de Amor tem seu roteiro baseado no romance Temporada de Caça às Letras, de Myla Goldberg, com roteiro de Naomi Foner e direção da dupla Scott McGehee e David Siegel (Até o Fim). Como no filme anterior dos diretores, a figura materna tem um papel central. Mas se no primeiro ela fazia de tudo para manter a família unida, aqui a mãe é a gota d’água que faltava para mostrar que havia algo de errado nessa casa. Essa mãe atormentada é interpretada com delicadeza e nuances pela sempre confiável Juliette Binoche.
A crônica da dissolução familiar é contada pela caçula Eliza (a estreante Flora Cross, uma espécie de Binoche em miniatura). Filha de uma cientista e um professor universitário, a menina sempre viveu à sombra do irmão, mais velho e mais talentoso nos estudos. Até o dia em que ela se destaca num concurso de soletrar palavras na escola. Logo a garota se torna uma celebridade local em seu colégio e ganha todas as atenções e mimos do pai.
Enquanto isso, o irmão Aaron (Max Minghella) vai se distanciando da família e começa a negar a suas origens judaicas, buscando novas religiões. Saul, o patriarca, acredita que sua filha encontrou o caminho de iluminação quando ela começa a ganhar todos os concursos de soletrar palavras na escola.
A maior qualidade de Palavras de Amor encontra-se na sua honestidade emocional. Os diretores buscam o ângulo mais sincero para abordar cada personagem e seus dilemas – embora, soe forçado em alguns momentos. Mesmo assim,McGehee e Siegel raramente desrespeitam a inteligência de seu público, abrindo a história de seus personagens de forma sutil e sincera. Se às vezes o filme parece esquemático demais, isso se deve à tentativa de não se distanciar muito de sua fonte. De qualquer forma, a história ganha ao optar por um registro emocional sem ser piegas ou feito para fazer o público chorar e prova que ainda há vida inteligente no cinema norte-americano, nem que seja apenas no indie.
