Bella vive um longo caso amoroso com George (Austin Pendleton), egocêntrico diretor de teatro da Brodway; homem casado que hesita em deixar a mulher para viver com ela. A romântica garçonete sonha com uma vida estável, ao lado de um marido e filhos. Um desejo simples, que não consegue levar adiante por não saber romper com esta relação. Na tentativa de esquecer sua vida pífia, entrega-se de corpo e alma ao trabalho. Várias mulheres de seu círculo tentam lhe indicar maneiras de resolver o impasse, como a mãe que passa a maior parte do tempo ao telefone, tentando convencê-la a se encontrar com o sobrinho de uma amiga.
A insistência materna faz com que Bella finalmente conheça Bruno (Jamie Harris), um motorista de táxi com pretensões de escritor. O máximo que consegue é um esboço capenga de um livro, escrito nos intervalos entre uma corrida e outra e no pouco tempo que lhe sobra quando não está cuidando da filha e do filho da ex-mulher. Bella, seguindo mais uma vez conselhos alheios, diz a Bruno que odeia crianças. Tal declaração joga baldes de água fria na conversa, comprometendo o desenrolar do que poderia ser a relação com a qual sempre sonhou.
O restaurante é palco de outros pequenos dramas, para onde afluem os mais variados tipos de solitários do bairro. Como três amigos, na faixa dos 70 anos, que passam longas horas discutindo sobre a causa do vazio existencial que sentem. O primeiro a buscar uma saída para o problema é o viúvo Paul (Robert Modica), que conhece Emily (Louise Lasser) através de um anúncio de jornal. A fogosa sessentona inibe o tímido senhor, que questiona suas habilidades sexuais com os companheiros de mesa. Outra personagem desta esquina é a prostituta sensível e mãe de um adolescente problemático, que não consegue clientes pois sempre gagueja quando os aborda. E Bella, que não sabe como resolver os próprios problemas, passa a maior parte do tempo tentando ajudá-los.
Um filme com humor sobre os pequenos dramas de pessoas mais do que comuns. O diretor Kollek deixa a história fluir, dando liberdade aos atores de criarem personagens verossímeis, com os quais o espectador estabelece uma simpática empatia. Um roteiro bem realizado e com diálogos interessantes, que mostra o cotidiano de nova-iorquinos com a mesma sensibilidade e simplicidade de Cortina de Fumaça (95), filme de Wayne Wang com Harvey Keitel
