Mirabelle Buttersfield (Claire Danes) é uma jovem de uma pequena cidade que, apesar de estar morando em LA e trabalhando numa grande loja de departamentos, não tem amigos. Ela passa o dia no balcão de luvas, depois vai para casa, faz alguns quadros, ou lê, cuida de seu minúsculo apartamento, vai dormir. No dia seguinte, é a mesma rotina. O diretor Anand Tucker (Hilary & Jackie) mostra tudo isso com delicadeza nos primeiros minutos, explorando o dia-a-dia de moça, que se mostra desesperada por um relacionamento – seja com quem for.
A primeira oportunidade de um laço humano surge para Mirabelle na figura do estranho, mas simpático, Jeremy Kraft (Jason Schwartzman), com quem ela acaba se envolvendo. Porém, com o tempo, o rapaz se mostra muito mais necessitado de afeto e atenção do que ela. Coincidentemente, quando ele sai em excursão com uma banda de rock, a garota conhece o milionário Ray Porter (Martin), que começa a assediá-la comprando um par de luvas.
Mirabelle precisa tanto de relacionamentos de verdade em sua vida, que acaba se envolvendo com Ray. Como tem boas condições financeiras, ele acaba pagando as dívidas que ela fez no banco para cursar a faculdade, dando roupas caras e viagens. Mas ele faz questão de deixar claro, bem cedo, que devem deixar as opções abertas e verem outras pessoas. Em outras palavras, não estão ligados.
O problema é que Mirabelle parece sentir que consegue mudar essa situação ou mesmo aceitar isso. Com o tempo, cada vez mais ela está sendo sugada por uma relação que parece não ir a lugar nenhum. Enquanto isso, Jeremy está curtindo o mundo e se tornando uma pessoa mais madura.
Quando Mirabelle retorna à casa dos pais para uma visita, muita coisa é esclarecida. A partir de então, podemos entender o desespero dessa menina para estar próxima de pessoas, sentir calor humano. Não que eles sejam ruins com ela, mas fica claro que não existe um relacionamento afetivo nesta família. São três solitários, que nem têm assuntos para conversar entre si.
Garota da Vitrine deve muito a Claire Danes. A presença da atriz é sólida, construindo um personagem denso e complexo, que inspira compaixão. Já o diretor Tucker usa a câmera e os movimentos para mostrar a solidão, como quando, nas primeiras imagens do filme, passeia pelos setores da loja de dapartamentos, onde tudo parece ser muito organizado e bonito mas, ao mesmo tempo solitário.
Garota da Vitrine mostra que a solidão é um problema epidêmico, que ataca sem piedade os grandes centros. As imagens aéreas de Los Angeles mostram uma cidade enorme, cheia de gente, mas cada uma vivendo sua vida, sem se interessar pelos outros. Assim, esse sentimento de solidão nunca se afasta.
