Quando a verdade veio à tona, no final de 2001, a empresa quebrou espetacularmente. Foi um dos maiores escândalos financeiros do mundo de todos os tempos. Deixou desempregados cerca de 20.000 funcionários – muitos dos quais tinham seus planos de aposentadoria investidos em ações da Enron -, arruinou outro tanto de acionistas e deixou perplexos os mesmos analistas que admiravam seu desempenho. Agora, eram eles que estavam desmoralizados.
O maior motivo do escândalo, porém, está nos maiores executivos da empresa, como Ken Lay (conhecido como “Kenny Boy”), Jeff Skilling e Andy Fastow, que foram capazes de desviar sistematicamente da empresa milhões de dólares – estima-se que, no total, 1 bilhão de dólares foram parar em contas pessoais destes e de outros espertos diretores.
O filme se baseia num livro dos jornalistas Bethany McLean e Peter Elkind, repórteres da revista econômica Fortune, cujas reportagens foram pioneiras no desmascaramento da fraude da Enron, em meados de 2001. Além de fornecer, detalhadamente, o percurso que permitiu aos altos executivos forjar o falso sucesso da Enron – por exemplo, criando sempre novas empresas e escondendo dívidas -, o documentário aponta a responsabilidade da empresa nos blecautes que causaram enormes transtornos e diversas mortes no estado da Califórnia. Também se revela a participação do governo Bush (filho) em negar ajuda ao então governador democrata desse estado, Gary Davis, permitindo a vitória do até então ator, Arnold Schwarzenegger, republicano como o presidente. Por todos esses motivos, apesar da complexidade, é um filme importante para compreender os tempos que vivemos.
