25/08/2026

Este documentário mostra dez jovens de diversas cidades do Brasil que em comum têm o sonho de serem jogadores de futebol. Dentro das mais diversas realidades que os cercam, eles vêem no esporte a possibilidade de um futuro promissor.

post-ex_7
Ano de Copa e começam a surgir filmes nas telas sobre futebol. Depois da ficção Boleiros 2 – Vencedores e Vencidos, de Ugo Giorgetti, chega aos cinemas o documentário Ginga, de Hank Levine, Marcelo Machado e Tocha Alves, que estréia nesta sexta (21) em São Paulo, Rio, Brasília e Belo Horizonte. Ainda para 2006, estão programados o documentário O Dia em que o Brasil Esteve Aqui, que revela os bastidores de um jogo beneficente que a Seleção fez no Haiti em 2004; e a ficção Goleiro, de Cao Hamburger.

Ginga mostra o cotidiano de dez jovens que sonham ser jogadores de futebol famosos e bem pagos. A equipe percorreu doze cidades do Brasil durante sete meses em busca de personagens peculiares que tivessem em comum essa ambição. O documentário apresenta a história de dez deles – sendo que dois já são famosos.

Entre os anônimos, os relatos são muitas vezes parecidos. Ou seja, trata-se de jovens de baixo poder aquisitivo que vêem no esporte a possibilidade de ascensão rápida. Como é o caso do paulista Paulo César, que trabalha como guardador de carros e, como diz seu pai, ‘se jantar num dia, não tem dinheiro para o almoço no dia seguinte’. A equipe o acompanha durante treinos e uma ‘peneira’ (teste de seleção) num clube paulistano.

Nesse mesmo caso está também o carioca Romarinho, morador da Rocinha que se espelha na vitória de jogadores famosos, como seu xará, para traçar sua carreira.

Numa outra ponta do espectro, estão jovens de classe média. Sérgio é paulista e joga futebol de salão. A equipe do filme acompanhou um período de sua vida em que ele participou de diversos jogos, inclusive da final de um campeonato, enquanto espera uma chance para jogar no gramado.

No time dos famosos entrevistados em Ginga está o jogador gaúcho Falcão, que após uma bem-sucedida carreira no futebol de salão veio jogar no São Paulo Futebol Clube. O longa acompanha essa transição na sua carreira e os resultados. O último segmento do documentário promove um encontro entre o jogador e o astro Robinho, que depois de despontar no Santos foi jogar na Europa.

Enquanto o trio de diretores de Ginga preza o apuro visual, com fotografia caprichada e edição frenética, eles deixam de lado o conteúdo humano do filme, que é onde estaria a força deste documentário. O longa acaba desperdiçando entrevistados interessantes sem se aprofundar nas suas histórias.

O carioca Wescley perdeu uma perna num acidente, mas isso não o impede de jogar de muletas e treinar para as Para-Olimpíadas. Ele, por si só, justificaria um filme inteiro, mas aqui não tem nem os seus quinze minutos de fama.

O mesmo acontece com o amazonense Celso, que treina futebol à beira-mar, com campo e equipamentos improvisados, e participa do Peladão, o maior campeonato de futebol amador do mundo.

O rebuscamento estético faz Ginga mais parecer um comercial de quase uma hora e meia. Levando em conta que o filme é da produtora de publicidade e cinema O2, e que entre os patrocinadores está uma famosa empresa de produtos esportivos, não será nenhuma surpresa se o longa for dividido em segmentos e exibido nos intervalos nos jogos do Brasil durante a Copa

post