O problema tem uma explicação simples. Enquanto seus colegas de geração apostam em um cinema mais autoral, intimista e “intelectual” (inspirados pela Nouvelle Vague francesa), Szifron bebe em modelos do cinema norte-americano. A escolha torna-se clara ao final da sessão de Tempo de Valentes, um evidente buddy-movie, que mistura ação e comédia, com referências aos clássicos western-spaghetti de Sergio Leone, e ao suspense O Homem que Sabia Demais, de Hitchcock.
Como todo o filme do gênero, a história centra-se na oposição de dois protagonistas, que por algum motivo, passam a conviver em diferentes situações. Em Tempo de Valentes, trata-se do psicólogo Mariano Silverstein (Diego Peretti) e do inspetor da polícia Alfredo Díaz (Luis Luque).
Quando o primeiro se envolve em um acidente de trânsito e é obrigado a prestar serviços à comunidade, passa a tratar gratuitamente o policial Alfredo, que sofre com a infidelidade de sua mulher. Como nada é convencional, o consultório é, na verdade, a viatura policial e os dois passam a trabalhar juntos, por um acúmulo de erros humanos sucessivos.
Nesse contexto, o espectador se vê em frente a uma torrente de comédia judia, combinada a uma marca social e humorística reconhecidamente portenha. Tudo isso levado por um delirante manejo do absurdo e da paranóia, que marca a carreira do diretor.
Szifrón cria uma obra decididamente superficial, mas em nada engana o espectador que espera um passatempo. Apesar de parecer tecnicamente mal realizada, a produção não passa de uma brincadeira eficaz do diretor, que em clima de deboche pensa apenas divertir a quem vê.
