03/06/2026
Drama

Araguaya - A Conspiração do Silêncio

Em meados dos anos 70, um grupo de jovens idealistas de esquerda foram para a região do Araguaia (PA) e passaram a conviver com moradores e padres locais. Os guerrilheiros e os camponeses começam a interagir com o mesmo objetivo: um Brasil melhor.

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Um episódio obscuro de nossa história é tema do longa Araguaya – A Conspiração do Silêncio, do brasiliense Ronaldo Duque. O filme estréia em São Paulo e no Rio nessa sexta, e traz Norton Nascimento, Françoise Forton, Danton Mello e Fernando Alves Pinto nos papéis principais.

Com roteiro co-escrito pelo diretor Guilherme Reis e Paula Simas, o filme mescla ficção e depoimentos de ex-membros da Guerrilha do Araguaia, como o do político petista José Genoíno, e Zezinho do Araguaya.

Em meados dos anos 70, um grupo de guerrilheiros vai para a região do Araguaia (PA) onde acabam se envolvendo com camponeses e padres locais nas ideologias e lutas da guerrilha. A narrativa é conduzida por um desses religiosos, François (Stephane Brodt), um francês radicado no Brasil.

Aos poucos, o Padre Chico, como é conhecido, e os moradores da região começam a se identificar com a ideologia do grupo de guerrilheiros, que tentam melhorar as condições de saúde e educação da região. Esse encontro de dois mundos, em busca do mesmo ideal, resulta no que há de melhor em Araguaya – A Conspiração do Silêncio.

Porém, o exército intervém e os resultados são trágicos. A Guerrilha do Araguaia é uma lacuna na história do Brasil. Um grupo que acreditava na solidariedade para mudar o Brasil numa das épocas mais difíceis de nossa história: o governo do general Médici. Nesse sentido, o longa Araguaya – A Conspiração do Silêncio é louvável ao abordar um tema tão negligenciado.

Porém, o diretor Duque se perde ao longo da execução. A junção entre documental e ficcional nunca acontece com naturalidade. Os poucos depoimentos apresentados no início do filme não dizem muito a que vêm, ficando perdidos e nunca retomados até o final do filme.

Além disso, os guerrilheiros são pintados de forma muito idealizada, o que muitas vezes resulta numa caricatura da realidade. A paixão entre dois jovens do grupo, por exemplo, perde a força ao ser retratada de forma novelesca e superficial. E mesmo o grupo, como um todo, está muito longe de parecerem seres humanos de verdade.

Apesar de toda boa vontade nítida no filme, que tem algumas seqüências interessantes e elenco competente, no final, Araguaya – A Conspiração do Silêncio desperdiça o tema. Claro que não precisava esclarecer, ou mesmo iluminar, toda a situação, mas se espera um pouco mais do que se vê na tela, com um assunto tão interessante e pouco abordado.

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