Assim, o longa é um estudo sobre a jornada de um indivíduo em busca de sua identidade. Filho de duas pátrias, é mais complicado encontrar um lugar para chamar de lar. Binh é filho de uma vietnamita com um norte-americano, e por isso, marginalizado no Vietnã, onde mora. As pessoas, inclusive, têm um termo depreciativo para designar esses filhos da guerra.
No início dos anos 90, o personagem finalmente consegue reencontrar sua mãe. Depois de um tempo trabalhando com ela como serviçal, ele é obrigado a abandonar o país depois de um acidente e levar junto seu irmão pequeno. Como Bihn está fugindo da justiça, a mãe lhe entrega um papel com o endereço do pai, que mora no Texas. Os dois vão parar num campo de refugiados na Malásia e ficam amigos da prostituta Ling (Bai Ling), que acaba acompanhando-os.
Como verdadeiras cargas, o trio toma uma embarcação clandestina junto a diversos orientais rumo aos EUA. Um explorador de imigrantes toma conta deles, cuida para que uns não matem os outros – senão, ele teria prejuízos. O capitão do navio é vivido por Tim Roth, que transita entre a bondade e o egoísmo. A certa altura diz para Binh que ele tem ‘uma mente independente. Algumas pessoas admiram isso, mas eu não”.
A jornada de Bihn e seus dois companheiros passa por caminhos tortuosos, envolvendo medo, dificuldades e mortes. A chegada ao destino, como era de se esperar, não representa o encontro com a identidade do personagem central. Pelo contrário, a partir de então, o filme levanta mais questões sobre quem é o personagem e o que o destino lhe reserva.
A direção é do norueguês Hans Petter Moland, que tem como um dos produtores Terrence Malick. Isso se mostra no apuro técnico e estético do longa, que contrasta a dureza da vida no Vietnã com a aspereza da viagem e o vazio existencial da vida pasteurizada e eletrônica nos Estados Unidos.
Abordando temas complexos e instigantes, Uma Vida Nova tem coragem de tocar em feridas abertas, cujas conseqüências duram anos – tudo isso usando um personagem central competente.
