O roteiro, escrito por Dianne Houston, segue à risca a receita para filmes sobre professores ajudando alunos problemáticos a serem bem-sucedidos. A única ‘novidade’ é dança como o instrumento de catarse sociocultural. Antonio Banderas é Pierre Dulaine, um franco-espanhol que com a dança de salão pretende ajudar (gratuitamente, é claro), um grupo de jovens que beiram a delinqüência, moradores do Bronx.
O que Vem Dançar tenta – e falha constrangedoramente – é agregar elementos da cultura das ruas, do hip hop, ao mundo da música clássica e da dança de salão. A diretora de videoclips Liz Friedlander estréia em cinema neste projeto que parece modesto mas tem uma séria ambição, que é conciliar clássico e moderno. Assim, batidas tecno insistem em se intrometer em tango, foxtrote e valsa.
Com todas essas referências, Vem Dançar ambiciona uma comunicação com pessoas de diversas gerações e formações socioculturais. Mas isso raramente acontece – uma vez que o roteiro abre diversas tramas paralelas (a filha da prostituta, o irmão do ladrão assassinado que tenta não seguir os mesmos passos etc), sem nunca dar espaço para nenhuma delas acontecer organicamente ou com mais profundidade. Uma das linhas narrativas segue uma jovem rica que é forçada pela mãe a freqüentar a escola de Pierre para se preparar para o baile de 15 anos. A garota não tem o menor talento para a coisa – porém, ela acaba se descobrindo em meio aos alunos pobres do professor.
Como não é de se espantar, tudo se resolve numa competição de dança. Os jovens aprendem que a música e os movimentos corporais são melhores do que as drogas e as armas. O que faz qualquer um mais sensato pensar que Vem Dançar se passa num universo paralelo onde um tango e o hip hop têm poder de quebrar barreiras socioeconômicas. Mas esses argumentos que o filme defende com tanta veemência são tão inconsistentes quanto dançar um tango ao som da batida de hip hop.
