Com roteiro e produção também assinados pelo diretor, o longa pretende ser um comentário bem-humorado sobre a situação social do Brasil contemporâneo. Ambientado no Rio de Janeiro, o enredo explora a relação entre o morro e a classe média usando a figura de dois meninos representantes de cada realidade.
Leonardo (Guilherme) é filho de dois empresários (Flávia e Tarcísio). Ele vive a típica rotina de uma criança cheia de atividades extra-escolares, como aula de inglês e computação. Isso faz com que a cada dia se sinta menos disposto a brincar, pois quase não tem amigos.
O único amigo que ele tem é Kiko (Cleslay Delfino), um garoto da favela, que faz malabarismos no farol para ajudar a família. A amizade dos dois, aliás, só sobrevive ao tempo em que o semáforo fica vermelho enquanto o carro de Leonardo está parado e eles trocam rapidamente algumas palavras.
Confiando em seu amigo, o garoto mais rico empresta seu game boy para o colega. Quando a mãe de Leonardo descobre, fica brava com o filho. Ele foge da aula e procura Kiko, mas descobre que o jogo foi roubado por garotos mais velhos.
Para recuperar o brinquedo, Leonardo se instala na casa de Kiko, sem avisar os pais, que começam a desconfiar de um seqüestro e chamam até a polícia. Enquanto isso, os garotos lutam para conseguir novamente o joguinho e acabam conhecendo um traficante que os ameaça.
Como o público alvo de Fontoura são os jovens, tudo no filme é light, até a violência, os problemas sociais, a questão do tráfico. A favela é à la novela das oito – todos são pobres, porém, felizes, dançam e cantam pagode o dia todo. Assim, cai-se naquele chavão tão explorado nos folhetins televisivos: os pobres são felizes, os ricos são cheios de problemas, enfim, dinheiro não traz felicidade.
As relações entre as duas camadas sociais, que são o tema do filme, nunca são abordadas a fundo, ou de forma verossímil. Talvez, com No Meio da Rua o diretor quisesse criar uma fábula juvenil, mas o filme nunca se aprofunda naquilo que se propõe a discutir. Embora haja um excesso de boa vontade, Fontoura nunca acerta seu alvo e faz um filme vazio, que desperdiça a chance de ser ao menos interessante.
Os dois atores mirins (Guilherme e Cleslay) dividiram o prêmio de melhor atuação masculina, e a menina Maria Mariana Momenrat levou o de melhor atriz coadjuvante no Festival de Recife 2005. No filme, ela faz o papel da irmã do garoto rico.
