18/07/2026
Documentário

Moacir - Arte Bruta

Moacir é um pintor de 42 anos, que vive na Chapada dos Veadeiros (GO). Humilde, com problemas de fala e audição, superou diversos preconceitos. Com o apoio de sua família, pôde expressar-se em sua arte poderosa e original, em desenhos que retratam pessoas, seres fantásticos, animais e a natureza.

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Pobre, negro, portador de problemas de formação óssea e audição, Moacir tinha tudo para ser mais uma vida em segredo na remota Chapada dos Guimarães, onde vive. Mas quis o destino que por suas mãos passasse um talento inusitado e caudaloso, como um rio que nunca pode parar de correr, ainda que não saiba explicar seu fluxo. Explicação, se há, está nas imagens pulsantes e coloridas de seus desenhos, que retratam animais, pessoas, genitálias, criaturas fantásticas ou diabólicas.

Quis a sorte também que um fotógrafo e cineasta do talento e sensibilidade de Walter Carvalho descobrisse o talento bruto de Moacir e o revelasse neste documentário, que surpreende sua humanidade por inteiro. Assim, a câmera atenta de Carvalho flagra o cotidiano do artista, em sua casa humilde e povoada de desenhos que escapam de seus dedos não só para o papel, como para as paredes e muros externos – não raro, horrorizando os fundamentalistas cristãos de plantão, quando o tema está no sexo ou nos demônios.

Além de expor o processo de criação do artista – contínuo e intermitente, numa energia que parece não se satisfazer nunca com o prazer de desenhar -, o filme é eficiente em revelar o ambiente em que Moacir pôde, afinal, desabrochar. O que compreende sua família amorosa, em especial a mãe e a irmã, e uma pequena cidade que já se acostumou a vê-lo como sua pequena celebridade local. Num outro contexto, talvez Moacir fosse tachado como louco e internado. Felizmente, criou-se em torno dele esta delicada rede de proteção que lhe permite simplesmente existir.

Um bom momento é o encontro de Moacir com o renomado artista plástico goiano Siron Franco, em que ambos conversam e desenham. Sem paternalismo, o filme dá conta desta especificidade humana de cada um, suspendendo qualquer juízo sobre o fenômeno que apenas, apaixonadamente, apresenta.

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