18/07/2026
Drama Comédia

Elsa e Fred - Um Amor de Paixão

Alfredo ficou viúvo há sete meses e decide mudar-se para um novo apartamento. Leva consigo apenas o cachorro e vive em grande solidão, só atormentado às vezes pela filha controladora. Mas sua vida muda completamente quando se rende aos encantos da vizinha da frente, Elsa, uma viúva que não abre mão de viver com alegria todos os dias, todos os momentos.

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Mais um representante deste cinema argentino que procura o grande público, amparado numa fórmula que destaca os bons sentimentos, mas guarda espaço para um oportuno humor. A grande figura central é China Zorrilla, a encantadora veterana de 84 anos que foi protagonista de um pequeno sucesso recente em salas brasileiras, Conversando com Mamãe.

Como naquele filme, a atriz interpreta uma velha senhora que não se rende aos estereótipos da terceira idade. Desta vez, ela é Elsa, uma viúva que enlouquece o filho mais velho por gastar alegremente seu dinheiro, em geral, ajudando o filho caçula, Alejo (Gonzalo Urtizberéa), que está tentando decolar numa carreira de pintor. Elsa simpatiza com o sonho como tempero da vida e não se abala diante de nada: nem doença, nem preconceitos, nema suposta conveniência dos comportamentos convencionais.

Em pouco tempo, ela se torna a verdadeira salvação de um outro viúvo, Alfredo (Manuel Alexandre), que se muda para o apartamento em frente ao seu. Deprimido com a morte recente da mulher, ele passa seus dias sem querer sair de casa, na única companhia de seu cachorro. Espiando o vizinho pela janela, Elsa rapidamente inventa um plano de conquista. Cerca o reservado Fred de tal maneira, com convites para o café e atitudes inesperadas, que termina por convertê-lo à sua causa: uma invencível paixão por viver o momento.

Elsa é, de muitas maneiras, uma personagem irresistível, encarnada com a habitual energia por China Zorrilla. Há momentos, porém, em que esta que é a grande força do filme tira um pouco de seu próprio ritmo. Não sobra muito a fazer para o resto do elenco, exceto Manuel Alexandre. E mesmo atores competentes, como Federico Luppi, aqui não têm muito a fazer. A excepcional atriz espanhola Blanca Portillo, que em breve será vista no novo filme de Pedro Almodóvar, Volver, aqui praticamente desaparece num papel unilateral demais, como Cuca, a rabugenta filha de Alfredo.

O filme do diretor argentino Marcos Carnevale, um experiente roteirista, inclusive de TV, aspira a ser popular e consegue, ainda que aqui e ali sucumba às próprias convenções. Ainda assim, Carnevale cria uma história bastante equilibrada entre o humor e a fantasia, que decola a partir do sonho de Elsa de repetir em Roma, na Fontana de Trevi, a clássica cena entre Anita Ekberg e Marcello Mastroianni do filme A Doce Vida, de Federico Fellini.

Este é um cinema que procura o grande público – o que não é crime nenhum – mas sua fórmula respira bem mais do que a camisa-de-força noveleira que contamina tantos dos grandes sucessos do cinema brasileiro.

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