20/07/2026
Documentário

A Odisséia Musical de Gilberto Mendes

Gilberto Mendes pode não ser um nome conhecido do grande público, mas a sua obra é uma das mais importantes do século XX. O documentário aborda a vida e obra do músico de vanguarda, dando ênfase ao seu trabalho, como a versão musical do poema “Beba Coca Cola”, de Décio Pignatari, e a experiência sonoro-visual “Son et Lumière”.

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O santista Gilberto Mendes, de 83 anos, é considerado o compositor de vanguarda brasileiro mais importante da segunda metade do século XX. No entanto, sua obra é pouco conhecida do público em geral. O documentário A Odisséia Musical de Gilberto Mendes, dirigido por Carlos de Moura Ribeiro Mendes, filho do músico, tenta reverter essa situação.

O roteiro do documentário segue a investigação de sua neta, Nara, tentando entender quem é o seu avô e qual a importância de sua obra para a música contemporânea. Como a definição que ela mesma encontra no dicionário, vanguarda é enxergar antes dos outros, chocar, fazer o que ainda não existe. E a obra do músico se encaixa perfeitamente nessa vertente.

O regente Cláudio Cruz diz em seu depoimento que Gilberto ‘está situado no mundo, e não no Brasil’, referindo-se à universalidade da obra do músico. Ele chega a compará-lo a Villa Lobos, cuja música tinha um quê de francesa.

Em algumas de suas composições, Gilberto mistura orquestra sinfônica com ruídos de xícaras, ventilador e gravações em fita. Uma de suas composições mais famosas é “Beba Coca Cola”, de 67, baseada num famoso poema homônimo de Décio Pignatari. A ‘música’ muito comentada ao longo de todo documentário, inclusive pelo poeta, serve como gran finale a A Odisséia Musical de Gilberto Mendes, e vem para confirmar tudo aquilo que se falou até então.

O filme mostra a trajetória e vida do compositor desde com imagens de arquivos desde quando tinha 22 anos até uma excursão que fez pela Europa recentemente, passando por países como Bélgica, Rússia e Alemanha.

Altamente influenciado pelo cinema, muitas das composições de Gilberto funcionam mais como encenação do que apenas com a música em si. É o caso de “Ópera Aberta”, de 1970, que abre o filme, e “Son et Lumiére”, de 1968, em que trabalha ruídos e um jogo de luz.

Muito fã de cinema, em Berlim, Gilberto diz enquanto anda pela cidade que quer ser ‘um anjo de Wim Wenders’, referindo-se aos personagens do famoso filme do diretor alemão, Asas do Desejo (87). Em cinema, o compositor assina a trilha de O Dono do Mar, longa inédito em circuito, dirigido por seu filho Odorico Mendes.

Filmado entre março de 2002 e abril de 2005, A Odisséia Musical de Gilberto Mendes é mais uma homenagem de filho para pai do que um documentário isento. Com um certo uso de linguagem técnica da música, o longa nem sempre consegue se comunicar bem com o público leigo. As quase duas horas do filme muitas vezes se fazem sentir.

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