20/07/2026
Documentário

Dom Helder Câmara - O Santo Rebelde

Documentário reconstitui a vida e a obra de D. Hélder Câmara (1909-1999). O arcebispo de Olinda e Recife foi o fundador da CNBB, um dos idealizadores das comunidades eclesiais de base e indicado ao prêmio Nobel da Paz por três vezes. Além disso, foi uma das principais vozes da Igreja contra a miséria e o arbítrio da ditadura militar.

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O cardeal-arcebispo de Olinda e Recife, D. Hélder Câmara (1909-1999), foi em vida uma das figuras mais polêmicas e admiradas da Igreja Católica brasileira. Seis anos após sua morte, a cineasta Érika Bauer conseguiu obter na Europa imagens inéditas para realizar o documentário D. Hélder Câmara – O Santo Rebelde.

Contando com farto e significativo material de arquivo, o filme estrutura solidamente uma biografia do religioso que, depois de fazer parte do movimento integralista no começo dos anos 30 – quando chegou a usar por baixo da batina a camisa verde daquele movimento anticomunista -, mudou radicalmente sua trajetória em direção ao bloco mais progressista da Igreja Católica, sendo um de seus expoentes mais combativos, em plena ditadura militar.

O documentário relembra que foi D. Hélder o criador da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), em 1952, uma das instituições mais ativas na denúncia das violações de direitos humanos dos anos 60 e 70. Lembra também que, na impossibilidade de cercear sua liberdade de ação, ou mesmo prendê-lo, os órgãos de repressão atingiram alguns de seus colaboradores mais próximos – como o padre Antonio Henrique Neto, morto misteriosamente em 1969. Além disso, estes mesmos órgãos proibiam os jornais de divulgar notícias sobre o arcebispo, numa ação de verdadeira censura.

Ameaçado de morte por diversos telefonemas e cartas, D. Hélder nunca se calava. Aproveitava, além disso, sua projeção internacional, que o levou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz por três vezes. Segundo a versão sustentada pelo filme, em 1973, D. Hélder teria sido o vencedor na votação da comissão deliberativa do Nobel. Mas pressões e conveniências políticas teriam levado os organizadores a atribuir o prêmio daquele ano a Henry Kissinger e Le Duc Tho, que haviam construído o acordo de paz que terminou a Guerra do Vietnã.

Além de entrevistas do próprio D. Hélder, constam deste documentário depoimentos de diversos de seus amigos e colegas, como D. Mauro Morelli, D. Pedro Casaldáliga e Leonardo Boff. É Boff quem lembra que o Papa João Paulo II em determinado momento cerceou as muitas viagens de D. Hélder pelo mundo. “A igreja institucional não encontrou lugar para seu dom de profeta”, critica o teólogo, ex-religioso e que foi ele mesmo alvo de censura na época do antigo papa.

Entre as imagens raras e inéditas do carismático arcebispo, estão algumas de suas conferências na Europa, onde ele se expressava em francês fluente. Algumas delas foram cedidas especialmente por um antigo colaborador de D. Hélder, Frans Moren, diretamente de seu arquivo pessoal.

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