Minha Super Ex-Namorada, aliás, parece ser um dos piores momentos na carreira de vários outros envolvidos. Entre eles, Don Payne, que assina o lamentável roteiro aqui, depois de ligar seu nome a produções de qualidade como a série Os Simpsons. O caso mais incompreensível, porém, é mesmo o da estrela Uma Thurman. Talvez no papel a história tenha lhe parecido interessante e engraçada. Em princípio, é mesmo. Parece promissor o romance entre um arquiteto desajeitado e sem sorte com as mulheres como Matt Saunders (Luke Wilson) e uma bela funcionária de galeria de arte, Jenny Johnson (Uma) que tem superpoderes e, nas horas vagas, cruza os céus de Manhattan combatendo o crime como G-Girl.
Está certo que humor não deve respeitar nenhum limite. Piadas são sempre contra alguma coisa e não devem mesmo preocupar-se demais com a cartilha do politicamente correto. Mas o retrato desta super-heroína chega a parecer machista. Só falta botar uma vassoura como meio de transporte da G-Girl depois que ela descobre que seu amado Matt tem alguma atração por uma coleguinha de trabalho, Hannah (Anna Faris).
Verdade que mesmo antes disso Jenny/G-Girl já dava mostras de alguns excessos. Fazer sexo com a moça chegava a ser um risco para a saúde e para as paredes do apartamento do rapaz. Depois que baixa o ciúme, a heroína esquece todo o seu altruísmo para combater o crime em Nova York e usa seus superpoderes somente para vingar-se de Matt e Hannah, causando prejuízo à arquitetura geral da cidade. Uma personalidade neurótica que parece ter tomado aulas com Alex Forrest, a inesquecível personagem de Glenn Close em Atração Fatal. Sorte que Matt não tem um coelhinho.
Uma Thurman parece deslocada num papel em que ela não teve como mostrar um pingo da sua excelente veia cômica, como na série Kill Bill.
