A tensão entre pai e filho sempre esteve presente na obra de Yang. Mas aqui é a força motriz, na história de um pai que vê no seu filho a chance de realizar as ambições que fora obrigado abandonar quando jovem. Com a Revolução Cultural, Gengnian (Sun Haiying) é mandado para o campo de reeducação e não só abandona o trabalho como pintor como deixa de acompanhar mais de cinco anos na vida do filho. Quando ele volta, são dois estranhos.
O protagonista, Xiangyang (apelidado Girassol), parece estar destinado a ser um pintor desde quando era bebê e escolheu um pincel entre vários objetos. Essa será a sina e a salvação do rapaz na vida adulta, quando se torna um pintor, por opção, por vocação, e não apenas para satisfazer às frustrações paternas.
Ao longo de três décadas, o roteiro acompanha a vida da família, suas alegrias e infortúnios. A gama de acontecimentos e personagens permite que o diretor faça um retrato abrangente de uma época conturbada da história da China, além de diversas relações humanas, envolvendo amor, traições e amizades.
Abandonando as convenções pertinentemente teatrais de Abandono do Sucesso, Yang faz um filme essencialmente de atores, e, nesse caso, o trio central não desperdiça suas oportunidade. O intérprete mais famoso é a atriz e diretora Joan Chen (O Último Imperador), no papel da mãe sofredora e apaixonada. Haiying, por sua vez, busca suas expressões nos heróis dos filmes chineses comunistas e faz um personagem forte que domina Flores do Amanhã.
