18/07/2026
Suspense Policial

Xeque-Mate

Slevin (Josh Hatnett) é o sujeito errado na hora e local errados. Ele é confundido com um matador e intimado por dois gângsteres rivais (Morgan Freeman e Sir Ben Kingsley) a fazer trabalhos sujos. Enquanto tenta se livrar dos problemas, apaixona-se por uma legista (Lucy Liu) e descobre que um matador (Bruce Willis) de verdade está na sua cola.

post-ex_7
Há mais de uma década, com seu Pulp Fiction – Tempo de Violência, Quentin Tarantino chacoalhou alguma estrutura do cinema. Ao menos é o que parece, com tanto filme tentando copiá-lo e tanto cineasta tentando imitá-lo. Como se o mundo precisasse disso, chega mais um suspense aspirando ao posto. E, pra variar, falha terrivelmente, constrangedoramente.

O maior problema com esses filmes, e com Xeque-Mate em especial, é a aspiração a ser muito inteligente, a ter uma reviravolta-que-ninguém-esperava e uma estrutura intrincada. No caso, o diretor Paul McGuigan (Paixão Á Flor da Pele) e o roteirista estreante em cinema Jason Smilovic querem provar tanto que são capazes de absorver referências cinematográficas e de criar o inesperado que, no fim, acabam fazendo um filme canibal, que devora a si mesmo.

A lista de referências (ou plágio, dependendo como se encara) é longa – incluindo desde o pai-de-todos Pulp Fiction, passando por Cães de Aluguel, O Profissional, Amnésia, O Homem Que Sabia Demais e qualquer saga envolvendo mafiosos (para manter o nível de modéstia bem baixo, que tal O Poderoso Chefão?). Mas como a dupla McGuigan e Smilovic confia demais no próprio talento, Xeque-Mate também se refere a outro candidato a clássico... Xeque-Mate. Há algo de estranho nisso tudo.

Por algum motivo, grandes e pequenos talentos se misturam com resultados pouco inspirados. Morgan Freeman e Sir Ben Kingsley (ele exige o título de nobre nos créditos) são dois mafiosos rivais; Stanley Tucci é um policial, Danny Aiello, um bookie; e Lucy Liu, uma legista, candidata a femme fatale involuntária. E, claro, não podia faltar Bruce Willis (tamanha a vontade para remeter a Pulp Fiction), no papel de um assassino.

O personagem principal é de Josh Hartnett, que até se esforça, mas não tem muito o que fazer, num papel raso e mal escrito. Ele é o sujeito que está no lugar errado, na hora errada e tem tudo para se dar mal – ou bem, afinal, o filme reserva uma suposta reviravolta surpreendente.

McGuigan está preocupado demais em mostrar que ele e seu filme são mais inteligente do que o público, e por isso não ‘perde’ tempo com coisas básicas, como construção de clima, elipses e sutilezas. O diretor é tão redundante e confia tão pouco na capacidade de compreensão dos outros, que as cenas, as explicações e as justificativas da trama se repetem desnecessariamente. Aparentemente, apenas ele e o filme têm o direito de ser inteligentes.

post