Essa esteira de casas baixas e antigas no centro do Rio, perto do porto e da avenida Rio Branco, sobreviveu às diversas ondas de modernização da capital carioca. E ali resiste como um pedaço de outro tempo, de lembranças e delicadezas quase extintas, não fosse a presença dos velhos moradores, muitos deles descendentes de portugueses.
Nestes relatos, ora melancólicos, ora bem-humorados, ora quase filosóficos – uma licença que as muitas décadas de vida autorizam -, um passado em que o corso e não as escolas de samba ocupava o carnaval comprova-se poderosamente vivo. É nítido que a saudade pontua diversas histórias. Às vezes, confissões inusitadas como a de seu João, contando que correu atrás de um homem que bateu em sua mulher para matá-lo e este morreu não por suas mãos, mas atropelado na fuga.
Cristiana mostra-se uma entrevistadora interessada, respeitosa e capaz de criar uma empatia com seus personagens. E também com seus eventuais silêncios. O DNA de Coutinho aparece sobretudo neste último detalhe.
