À primeira vista, pensar em quadriplégicos praticando esporte pode até parecer algo lúdico ou amador. No entanto, Murderball mostra que esses esportistas levam a competição bem a sério e profissionalmente – quase como um jogo de vida ou morte. Como fica claro, a prática esportiva se transforma na prova de que essas pessoas podem ser independentes e produtivas, indo além da mera recreação. Os diretores intercalam partidas com depoimentos e histórias da vida dos principais membros do time norte-americano, diversas vezes campeão nas Para-Olimpíadas.
Conhecido como quad-rugby, o esporte foi inventado no Canadá, nos anos 70, e mistura elementos do basquete, hockey e rugby. Violento, ele assusta mais a quem vê do que a quem o pratica. Os esportistas levam a sério – às vezes até demais – e nunca deixam sua limitação impedir alguma jogada. Por isso, não é nada estranho ver cadeiras de rodas trombando e caindo na quadra.
A figura central é o texano Mark Zupan. De personalidade forte, cheio de tatuagens e fúria, o espectador pode até ser levado a desenvolver uma relação de amor e ódio com o rapaz, mas nunca de piedade. O maior rival de sua equipe é o Canadá, treinado por Joe Soares, ex-técnico que foi esnobado pelo time norte-americano, por ser ‘velho demais’. A rivalidade entre os dois times vai ganhando contornos pessoais que o filme delineia caminhando para um embate excitante entre as duas equipes.
Sem se limitar à esfera do esporte, Murderball investiga como alguns quadriplégicos tentam levar a vida mais próxima do normal. E isso inclui a prática sexual que, aliás, é discutida com muita honestidade pelos atletas retratados no filme.
O documentário ganha em interesse ao abandonar o esquematismo de filmes sobre esportes e investigar mais a fundo o interesse humano do tema. Assim, Shapiro e Rubin quebram barreiras ao fazer um retrato sincero de pessoas que preferem lutar e ultrapassar limites.
