05/06/2026
Fantasia Drama

O Labirinto do Fauno

No fim da Guerra Civil espanhola, uma mulher grávida muda-se para a casa de seu novo marido e leva junto a filha do primeiro casamento. A menina descobre um labirinto na propriedade e lá dentro uma criatura mágica que lhe promete que será uma princesa. Mas, para isso, terá de cumprir três provas.

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Quando a vida no mundo real está muito difícil, cheia de complicações, vale a pena se voltar para a fantasia? Essa questão vem junto com o drama O Labirinto do Fauno, que mistura questões políticas e uma fuga da realidade. O diretor mexicano Guillermo Del Toro (Hellboy), que também assina o roteiro, confirma o seu gosto por histórias que se passam numa outra dimensão, com visual criativo e requintado. E, quando dirige em espanhol, ele parece se sair bem melhor do que quando faz filmes em inglês – pode ser apenas uma coincidência, mas isso é inegável.

Neste filme, que competiu em Cannes, o diretor não tem as pressões de grandes estúdios, como quando fez (bem, até) Hellboy. O sucesso que a adaptação do quadrinho lhe deu certamente contou na hora de conseguir produzir este filme que, apesar de parecer infantil, tem temática bem adulta.

O Labirinto do Fauno é inteiramente construído em cima da comparação entre os dois mundos: o real e o imaginário. Na mundo que conhecemos, a Espanha acaba de passar por uma guerra civil e o ditador Franco está no poder. Capitão Vidal (Sergi Lopez), partidário da ditadura franquista, prepara-se para receber sua mulher grávida (Ariadna Gil) e a filha pequena do primeiro casamento dela, chamada Ofélia (a impressionante Ivana Baquero).

Acuada, numa vida que não parece a sua, a garota fica a cada dia mais isolada nesse novo mundo no qual foi jogada. A garota acaba descobrindo um labirinto na casa e encontra um fauno, que declara que ela é realmente uma princesa. No entanto, ele avisa que a garota precisa cumprir algumas tarefas perigosas para poder voltar ao seu verdadeiro reino.

Enquanto a garota vai tentando chegar ao seu destino, Del Toro vai colocando lado a lado os horrores da realidade e os perigos do mundo fantástico – e, claro, na maioria das vezes, o nosso mundo com suas perseguições e mortes é muito mais assustador do que a fantasia.

Os monstros imaginários são de enorme criatividade, com suas esquisitices e excentricidades. Mas nada se compara ao comportamento horripilante de Vidal. Ofélia ainda encontra no mundo real alguns amigos, mas é cada vez mais se entregando à fantasia que encontra um pouco de conforto.

Del Toro também não hesita em cruzar de vez real e imaginário. O fauno, cada vez mais poderoso e opressor, é uma representação de Franco. Os seres fantásticos, seus seguidores, estão por toda parte e quase nunca é possível se defender deles. O diretor já havia trabalhado temas parecidos em outro filme seu, A Espinha do Diabo. E, mesmo que muitas vezes O Labirinto do Fauno não tenha uma unidade dramática, o seu visual apurado e criativo valem a visita ao seu mundo fantástico.

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