Brilhante é, em sua essência, um filme de boa vontade, o que nem sempre dá bons resultados. Vale como um registro de um momento, de uma transformação – no caso, da cidade de Lençóis (na Chapada Diamantina), que se tornou ponto turístico e teve um discreto boom econômico após o lançamento do filme de 77.
Em todo o documentário é visível a forte relação entre os moradores de Lençóis e Diamante Bruto, mas acaba ficando vaga demais a importância do longa para a evolução econômica da cidade.
O que fica claro em Brilhante é que o foco do filme poderia ter sido outro: a jovem Gilda, filha de garimpeiros locais que nunca tinha atuado e acabou premiada. Como ela mesma conta em suas poucas falas, acabou sendo criticada no final dos anos 70, quando o filme foi exibido em Lençóis, por conta de sua personagem. Bugrinha é uma jovem passional, uma figura forte, que seduz o jovem interpretado por Wilker. Em uma cena do filme original, Gilda chegava a exibir os seus seios, o que fez com que ela sofresse represália da sociedade local.
A revanche da jovem veio depois, quando foi premiada em Gramado e apresentou Lençóis para todo o Brasil. Essa história interessante é pouco explorada no filme de Conceição, que nunca deixa claros os rumos que a carreira de Gilda tomou. O que fica mais é claro é que a documentarista tinha um assunto interessante em mãos mas, ao voltar seu foco para outra abordagem, produziu um filme irregular e muitas vezes redundante.
