20/07/2026
Drama

Time - O Amor Contra a Passagem do Tempo

Uma jovem insegura e obsessiva sempre desconfia de seu namorado. Com medo de que ele se canse dela e a abandone, a moça faz uma cirurgia plástica e muda completamente seu rosto. Tempos depois, volta a procurá-lo e o seduz. Mas o seu ciúme e insegurança não a abandonam.

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A pequena, mas fiel, legião de fãs que o cineasta sul-coreano Kim Ki-duk conquistou no Brasil com suas obras Casa Vazia e O Arco serão aqueles que mais se surpreenderão com o novo trabalho do diretor, Time – O Amor Contra os Efeitos do Tempo. Essa não será necessariamente uma surpresa boa. Aqui, fica de fora o lado zen das obras anteriores, para um mergulho num mundo que pode ter uma leitura camp ou trash, dependendo da boa vontade do espectador.

Time investe fundo numa história de amor paranóico em que a beleza – ou pelo menos a aparência - tem um papel central. A personagem principal é uma jovem que tem ciúme excessivo do namorado, a ponto de dizer que quer ‘furar os olhos das garotas só de elas olharem’ para ele. Ela acredita que um dia o namorado vai se cansar de sua aparência e procurar outra mulher.

Antes que ele se canse do rosto dela e procure outra, ela mesma trata de se tornar outra pessoa, fazendo uma cirurgia plástica que muda completamente a sua fisionomia. Agora, com outro nome, vai atrás do mesmo rapaz e começa a seduzi-lo - sem mudar de personalidade, ou seja, com o mesmo ciúme excessivo. E Kim Ki-duk não mede esforços para mostrar que essa paranóia não pode acabar bem - ela chega a sentir ciúmes da versão antiga de si mesma.

O roteiro, assinado pelo próprio diretor, é confuso com suas idas, vindas e repetições de fatos. A personagem feminina muda de nome – mas como é a mudança é apenas uma letra, pode passar despercebida. Diversas questões levantadas (a importância da aparência, a valorização da beleza ao invés dos sentimentos, a passagem do tempo) nunca são levadas a sério e acabam deixadas de lado, inconclusas.

O que mais atrapalha em Time são os exageros narrativos e estéticos, e soluções pouco ou nada realistas. Não que esse diretor prime por realismo em seus filmes anteriores– sempre carregados de simbologias –, mas esta é uma história que pede um certo elo com o mundo real para que se chegue a algum lugar, para que seus exageros sejam interpretados como uma crítica à cultura da cirurgia plástica (tão comum na Coréia), para que a história de amor entre os dois protagonistas não seja apenas uma desculpa para gritarias e delírios bizarros.

A possível leitura camp vem dos espectadores mais generosos. Assim, pode-se encontrar uma certa ironia ou crítica social nas bizarrices e exageros do diretor. Para isso, também é preciso acreditar que tudo que se vê aqui é proposital. Afinal, trata-se de um diretor experiente.

Por outro lado, também se pode pensar que tudo o que se vê fugiu um pouco do controle. Assim, o que no papel parecia interessante, na tela revelou-se excessivo, trash mesmo.

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