04/06/2026
Comédia romântica

Um Beijo a Mais

Michael (Zach Braff) tem 30 anos e muitas dúvidas. Sua namorada Jenna (Jacinda Barrett) está grávida e quer algo mais sério. Ele, porém, acaba se envolvendo com uma garota mais nova e coloca em dúvida seu relacionamento. Enquanto isso, seus amigos, todos da mesma faixa etária, também, entram em sérias crises de identidade.

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Os remakes hollywoodianos de filmes estrangeiros raramente acrescentam algo novo à obra original, ou sequer dão certo. Um Beijo A Mais não foge à regra. Refilmagem da comédia italiana O Último Beijo (2001), a produção remove o que havia de mais pungente e interessante no filme original: os exageros melodramáticos.

O Último Beijo foi escrito e dirigido pelo italiano Gabriele Muccino (que recentemente fez nos Estados Unidos À Procura da Felicidade, estrelado por Will Smith), e tinha em seu centro algo que o cinema norte-americano raramente consegue fazer: uma mistura entre um melodrama excessivo, uma comédia doce e um romance forte. No filme, lançado no Brasil em 2003, os personagens (Stefano Accorsi e Giovanna Mezzogiorno) levam seus dramas ao limite, com muita gritaria e lágrimas.

Em Hollywood, exige-se uma saída mais politicamente correta, com mais argumentações – todas em tons muito sóbrios –e poucos excessos. Assim, Um Beijo A Mais é apenas só mais uma comédia romântica sobre personagem na crise dos 30 anos, quando finalmente percebem estão no mundo adulto, e isso não tem volta.

O personagem central Michael, interpretado por Zach Braff, que não está muito diferente (no tom e nos conflitos) daquilo que fez em Hora de Voltar (2004). Ele tem uma vida confortável, um bom emprego, uma namorada (Jacinda Barrett) que ama e com quem pensa em casar, quando descobre que ela está grávida. Mas o casamento agora significa abrir mão de todas as outras mulheres do mundo – ao menos em teoria.

Embora o casal siga tocando os preparativos para as núpcias, Michael se envolve com uma outra garota uns dez anos mais jovem do que ele, interpretada por Rachel Bilson. Ele vê nela toda a liberdade que irá perder quando se casar. Levado mais pelas circunstâncias do que por sua atitude, até porque muitas vezes o personagem não parece ter muita vontade própria, ele acaba tendo um caso com a menina.

Como nos Estados Unidos impera uma certa moral mais rigorosa, a personagem jovem amante deixa bem claro em diversas cenas que ela tem 20 anos – ao contrário do filme original, no qual ela é menor de idade. Essa mudança não chega a ser o problema, mas é um sintoma de que as regras aqui são outras. A choradeira e gritaria do original fazem muita falta, pois eram o que o longa tinha de mais forte. Havia um certo charme naqueles personagens desesperados em busca de sua felicidade. Aqui, eles são seres educados que podem encontrar ou não o amor e a felicidade – e a vida vai continuar a mesma.

Em paralelo, a narrativa retrata alguns amigos de Michael. Todos na mesma faixa etária, e enfrentando problemas que, se não semelhantes, têm a mesma origem: o medo de aceitar a vida adulta. Também problemática é a vida de Anna (Blythe Danner), sogra do protagonista. Chegando àquilo que chamam de ‘3a idade’, a personagem percebe que o tempo está correndo e ela perdendo a chance de ser feliz.

Não melhora nada o filme o fato de que a direção de Tony Goldwyn (Alguém Como Você) é tremendamente impessoal e que transforma Um Beijo A Mais em só mais uma comédia romântica genérica – dessas que são despejadas nas locadoras aos montes. Não se salva nem o roteiro de Paul Haggis, diretor e roteirista de Crash – No Limite, Oscar de melhor filme 2006. Com diálogos pouco inspirados, só aumenta a sensação de déjà vu.

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