23/07/2026

Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Casaquistão Viaja À América

Borat Sagdiyev (Sacha Baron Cohen) é um repórter de tv do Casaquistão mandado aos Estados Unidos para aprender um pouco sobre a sociedade e cultura norte-americanos. Em sua jornada, ele vai interagir com diversos americanos e aprender que o politicamente correto pode ser apenas uma fachada. E também irá se apaixonar por Pamela Anderson, a estrela de Baywatch.

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Há muito não se via um filme tão politicamente incorreto, verdadeiramente engraçado e transgressor como este. A comédia é um raio-X sobre a cultura dos Estados Unidos, muitas vezes construída sobre a aparência do politicamente correto, mas que no fundo esconde uma teia de preconceitos e falsidades.

Borat Sagdiyev é um personagem criado pelo comediante inglês Sacha Baron Cohen, que com seu humor corrosivo já havia lidado com diversas questões polêmicas através de outra de suas criações, Ali G, num programa da TV britânica. Este é o primeiro filme do repórter do Casaquistão, colocando-se na fronteira entre o documental e a ficção. Baron Cohen ganhou o Globo de Ouro na categoria Melhor Ator de Comédia ou Musical. O filme também concorre neste domingo (25) ao Oscar de Melhor Roteiro adaptado – uma vez que o personagem já havia sido criado pelo comediante.

Tudo começa como brincadeira no país de origem de Borat (que, na verdade, foi filmado numa aldeia na Romênia). Quando ele viaja à América, acaba a encenação. Assim que o entrevistador começa a conviver com diversos cidadãos comuns norte-americanos nas ruas e em outros ambientes, torna-se bem claro que seu verdadeiro propósito é o esculacho. Sentindo-se ridicularizados, muitos deles estão movendo processos contra Sacha e os produtores.

Segundo Borat, sua expedição é financiada pelo Ministério da Informação do Casaquistão, para quem o filme serviria para trazer mais cultura e educação à nação. Para eles, os Estados Unidos são o maior país do mundo porque têm ‘democracia e pornografia’. E assim o ingênuo repórter começa sua jornada. Em seu caminho, passam tipos inusitados como ativistas feministas até socialites e prostitutas – todas com muito bom coração, paciência e uma vontade para ver o rapaz transformado. Tanto que uma das madames diz, com um sorriso sincero, que em breve ‘ele estará americanizado’.

Assim, Baron Cohen vai aos poucos expondo o jogo de aparências que sustenta a sociedade norte-americana. Num jantar sofisticado, ele testa a paciência e bons modos de seus anfitriões, que sempre se mostram muito educados. Tentam engolir em seco quando o pseudo-repórter diz que uma das mulheres à mesa é feia, e até quando retorna do banheiro com suas fezes num saco plástico. Mas quando chega à casa uma prostituta convidada pelo convidado, a boa vontade acaba.

Com seu tipo escrachado e cara de tolo, Baron Cohen se inscreve na tradição de humoristas como Peter Sellers, o célebre criador da Pantera Cor-de-Rosa e tantos outros personagens memoráveis. É um humor corrosivo, sem a menor afeição ao politicamente correto. Mas diferente de outras comédias apelativas (como a série American Pie, por exemplo), “Borat” vai além do mero entretenimento. A sua relação com a sociedade e cultura norte-americanas beira um estudo sociológico e uma verdadeira radiografia da era George W. Bush.

Baron Cohen não poupa ninguém com seu humor. Desde judeus (ele mesmo sendo um judeu) a feministas, passando por jovens alienados e cowboys, todos são vítimas desta comédia, que culmina com um pedido de casamento à atriz Pamela Anderson – numa das melhores participações que a ex-coelhinha da Playboy já fez no cinema, embora totalmente involuntária.

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