O excesso de modernidade formal do filme não permite que Galvão e sua história cheguem a lugar algum. O diretor mostra estar em sincronia com o Dogma 95 ao usar câmera na mão, que treme muito, criando imagens fora de foco e cortes bruscos. Mas nunca vai a fundo na corrosão que gostaria de mostrar.
Quart4 B é uma reunião de pais numa tarde de domingo chuvoso em São Paulo. O motivo do encontro é que foi encontrado um tijolo de maconha na sala de aula, e a professora e o diretor querem discutir o assunto, descobrir que é o dono – não para punir, mas para orientar.
Assim, Galvão propõe uma radiografia , que resulta bem superficial, da classe média, na qual os filhos – a quem nunca vemos – são reflexo do comportamento dos pais. O garoto que apanha em casa, bate nos amigos da escola. O menino superprotegido pela mãe tem um comportamento meio ‘afeminado’, como diz um outro pai.
Quart4 B não cria personagens, mas tipos humanos, meros estereótipos que, nas mãos do diretor, servem apenas de marionetes para a sua visão classe média da própria classe média e da maconha. Isso acontece principalmente quando os pais decidem experimentar a droga e sentir na pele os efeitos. O que se passa é uma liberação de seus desejos e frustrações, nunca muito fora da bolha social a que pertencem.
