O filme conta a história de um certo Tom Newman (Peter Weller), que preparou uma viagem de férias em uma reserva na África do Sul, para que seus filhos adolescentes conhecessem a nova esposa Amy (Bridget Moynahan, dasérie Sex and the City). Não se explica porque o convívio com leões poderia melhorar o clima familiar desagradável, mas, como se pode supor, as coisas começam desde o princípio a dar errado.
Em um dos passeios, Newman é obrigado a trabalhar e deixa a família seguir sozinha pela reserva. Esta se perde em determinado ponto. E acaba, em um calor extenuante sendo vítima de um par de leões famintos. Para desespero das pessoas do veículo, eles se mostram mais inteligentes do que se poderia supor, deixando-as cercadas.
Embora com um plot não muito animador, Caçados é um competente filme. Enxuto, tem pouco mais de uma hora e meia, consegue manter o espectador colado à cadeira, sufocado pela tensão provocada com habilidade pelo diretor Darrell Roodt. Nesse ponto, o filme lembra Cujo – O Cão Assassino (1983) ou mesmo Mar Aberto (2004), por conseguir envolver o público na angústia das personagens.
Os pontos positivos da produção são creditados a Roodt, cineasta sul-africano de extensa filmografia. Embora seja afeito a filmes mais provocadores, em que a agenda social africana está sempre em pauta, o diretor mostra que consegue variar, criando uma honesta fita comercial.
Roodt chegou a ser indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por Yesterday (ainda inédito no Brasil), em 2005 - a primeira candidatura da África do Sul. Como competia com o espanhol Mar Adentro (reconhecido como melhor), não levou - apesar de ser tão bom e triste quanto, ao tratar de uma mulher com AIDS em busca de tratamento, que começa uma longa marcha a pé pelo país, acompanhada de sua filha.
Enfim, Caçados não apenas mostra a competência do cineasta, que consegue elevar um roteiro pouco mais que medíocre, como também traz uma veracidade brutal a tudo o que se vê. Os produtores dizem que Bridget Moynahan teve que tapar a boca da atriz adolescente Carly Schroeder nas cenas em que o leão (de verdade) tenta invadir o carro, por ter ficado histérica de medo. Mas, acreditar nisso é o mesmo que acreditar que o suspense seja efetivamente baseado em fatos reais.
