Embora a idéia original do filme seja interessante (o que pode enganar quem assistir ao trailer), o roteiro fraco e mal-ajambrado exclui da história pontos essenciais para ser coerente. Mais: abusa dos piores clichês do gênero como, por exemplo, a criança satânica, o religioso sem fé, os sustos, as explicações científicas sem qualquer embasamento empírico, entre tantos outros que dificilmente passariam despercebidos.
Para entender como isso ocorre, basta rever a sinopse. A história é centrada em Katherine (Hilary Swank), uma pesquisadora especializada em desvendar falsos milagres e santos charlatões. Um detalhe importante é que se profissionalizou depois de perder completamente a fé em Deus, ao ver sua família ser assassinada por aborígines na África, quando ainda era missionária.
No entanto, quando é chamada para explicar estranhos fenômenos ocorridos em Haven, uma pequena cidade em Louisiana (EUA), vê seu ceticismo titubear. O tal vilarejo começou a ser afligido por uma séria de acontecimentos inexplicáveis, similares às tais dez pragas egípcias (o rio tornado sangue, a chuva de sapos, a invasão de gafanhotos etc), e seus moradores acreditam que a culpa é de uma garotinha, considerada por eles a filha do demônio. Enfim, é o tal negócio: ante o injustificável, os adeptos do auto-engano culpam o sofá.
O que se vê, no fim, é que a Dark Castle não acerta no que produz. Aliás, nem o cineasta Stephen Hopkins, que tem talento para filmar produções de ação de forma dinâmica e eficiente, mas escolhe invariavelmente péssimos roteiros: Predador 2, Perdidos no Espaço, Sob Suspeita, Sombra e a Escuridão, entre outros.
A torpeza narrativa é interessante, em certo ponto, pois mostra que a celebrada atriz Hilary Swank (Menina de Ouro, Meninos Não Choram, que lhe deram dois Oscar) realmente consegue uma boa performance, apesar de às vezes enfrentar os piores papéis. Os seus colegas de set não têm tanta sorte, divertindo a platéia com atuações reprováveis até para amadores.
Por essas é que se torna difícil acreditar em A Colheita do Mal, cujos buracos berrantes na trama contribuem para torná-la ligeiramente confusa. Um exemplo prático disso é o personagem de Padre Costigan (uma participação especial do ator Stephen Rea): não se sabe de que lado está ou mesmo porque guarda tantas fotos de Katherine em sua cela.
Apesar de todas as falhas, talvez seja possível se entreter um pouco. Basta que se tenha um pouco de fé.
