18/07/2026
Aventura Ação

Homem-Aranha 3

Depois de assumir sua dupla identidade para a namorada, Peter Parker/Homem-Aranha leva adiante o relacionamento com mais seriedade. Mas vai ter de enfrentar rivais temíveis ameaçando os cidadãos de Nova York, como o ex-amigo Harry Osborn, o Homem de Areia e o sinistro Venom.

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O filme de Sam Raimi, com roteiro dele mesmo e do irmão Ivan Raimi, marca o ritual de passagem à idade adulta do herói de dupla identidade, o fotógrafo Peter Parker e o paladino da justiça Homem-Aranha (Tobey Maguire). Dando seqüência à revelação de seu segredo à namorada Mary Jane (Kirsten Dunst), no final do segundo filme, Peter firma o namoro com ela. A moça está estreando um espetáculo na Broadway como cantora, que é arrasado pelos críticos. Ela é rapidamente substituída e vive uma crise profissional. No Brasil, como se sabe, os críticos jamais foram tão poderosos.

Peter nem tem muito tempo para dar atenção ao coração magoada da amada. Uma turma de rivais e inimigos rouba todo o seu fôlego. Começando pelo ex-amigo Harry Osborn (James Franco) que procura vingar a morte de seu pai (Willem Dafoe) pelo Homem-Aranha. Voando numa espécie de skate high tech e dotado de várias geringonças mortais – como bolinhas metálicas cheias de pontas -, Harry trava um dos melhores duelos do filme com o Homem-Aranha pelos ares, especialmente nos estreitos corredores entre os arranha-céus de Nova York.

Não negando fogo no quesito aventura, Homem-Aranha 3 escala outros dois poderosos inimigos para o herói – inclusive ele mesmo, quando sua roupa é coberta por uma legião de estranhos microorganismos negros. Sob a ação deles, tanto Peter, quanto o Homem-Aranha, revelam um lado mais agressivo, cínico e imprevisível. Muda até o penteado comportadinho de Peter. Subjugado por uma espécie de segunda personalidade dark, ele joga a franja na testa, pinta um leve risco nos olhos, veste-se todo de negro, dança com ousadia nas baladas e paquera todas as garotas – cortando o coração de Mary Jane.

Antes mesmo desta espécie de infecção de caráter, o herói já estava sucumbindo a uma certa vaidade e correspondendo, até certo ponto, às atenções de Gwen (Bryce Dallas Howard) – a filha do comandante da polícia (James Cromwell), que ele salvou numa outra seqüência espetacular, quando uma gigantesca grua saiu de controle no alto de um prédio, danificando diversos andares e arremessando a mocinha pelos ares.

Além disto, o Homem-Aranha tem pelas frente dois formidáveis inimigos. Um deles, o Homem de Areia (Thomas Haden Church). Na verdade, ele é Flint Marko, o presidiário que cumpria pena por ter matado o tio de Peter Parker (Cliff Robertson). Escapando da prisão, ele foge da polícia e se esconde numa usina nuclear. Submetido a uma formidável carga de radioatividade, vira literalmente uma figura de areia, capaz de desmanchar-se e refazer-se, bem como atingir um tamanho gigantesco, no melhor trabalho do departamento de efeitos especiais do filme.

O outro inimigo, Eddie Brock (Topher Grace), começa como rival na fotografia do jornal em que Peter trabalha. Por acidente, ele irá receber os microorganismos negros na própria pele no dia em que, finalmente, o Homem-Aranha decide livrar-se deles. A partir daí, Eddie torna-se Venom, criatura capaz de voar, dotada de uma temível mandíbula de tubarão e capaz de montar armadilhas como uma gigantesca teia entre dois altíssimos prédios de Nova York. E, o que é pior, tendo Mary Jane como isca.

A maior restrição que se pode fazer à aventura está no inegável ar retrô do segmento do romance e do comportamento de Peter Parker. Ele é um invencível menino quando se relaciona com a tia (Rosemary Harris) e mesmo com a namorada. Assumir o desejo sexual parece tão proibido aqui quanto na era vitoriana. Até as seqüências de “rebeldia” do herói, quando sob o domínio do “mal”, parecem anos 1950. Tudo isso é, claro, um sinal dos tempos obscurantistas e retrógrados que estamos vivendo e não será numa aventura pipoca feito esta que a questão será resolvida. Mas não precisavam exagerar...

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