No documentário, dirigido por Luciano Curi, Drauzio assume a função de conversador e fala com diversos moradores da região ribeirinha. A sua curiosidade e paciência o colocam num lugar privilegiado. Ele ouve as pessoas e, ao mesmo tempo, lhes dá segurança para contar histórias que dificilmente abordariam na frente das câmeras.
Surgem, então, pessoas simples, mas com histórias de vida impressionantes, e fantasias ainda maiores. É a tradição oral documentada pelo cinema. Um dos entrevistados diz, por exemplo, que “o mundo é uma mulher e o Pão-de-Açúcar, o peito dela”. Há também espaço para se falar de seres fantásticos como botos, peixes e cobras gigantescas.
A região, às vezes, surge como um mundo à parte. Um dos entrevistados parece ter perdido a noção do tempo. Ele conta que vive há quase nove anos no local, mas não sabe precisar em que ano estamos. Surgem figuras peculiares, que nunca são vistas com estranheza pela câmera, como um parteiro e um homem que diz já ter sido abandonado por 20 mulheres.
