As duplas tiveram de encontrar um novo ponto. Logo no início do filme, a loja original é destruída por um incêndio. Essa cena é em preto e branco – como era, aliás, todo O Balconista. Quando o fogo acaba e Dante e Randal são obrigados a procurar um novo emprego, o filme passa a ser colorido. Essa transição tem um motivo: os balconistas estão sendo expulsos do mundinho onde vivem, sendo obrigados a encarar a vida lá fora, o mundo adulto.
Esse mundo adulto inclui um emprego de verdade – ou algo parecido. Dante e Randal vão trabalhar com balconistas numa lanchonete fast-food, um lugar diferente daquele universo tão deles na loja antiga. A gerente da lanchonete é Becky Scott (Rosario Dawson), de quem Dante tem se tornado um amigo muito próximo, apesar de estar com casamento marcado com outra mulher. Jay e Silent Bob também tentam se reintegrar a uma nova vida e ficam na porta da lanchonete vendendo drogas discretamente.
Dante está em seu último dia de trabalho, pois vai se casar e mudar de cidade. Para comemorar, Randal prepara uma festa, contratando uma stripper para a despedida de solteiro, sem que o amigo saiba.
Enquanto isso, uma série de consumidores entra e sai do estabelecimento. Como Ben Affleck ou um casal afro-americano que considera todas as frases que ouve como ofensas raciais. A melhor cena é a discussão sobre a rivalidade entre a trilogia O Senhor dos Anéis e Guerra Nas Estrelas, protagonizada por Randal e um cliente.
Smith não resistiu ao apelo de revisitar personagens tão caros a seu universo – principalmente depois que em seus últimos filmes, Menina dos Olhos (2004) e O Império (do Besteirol) Contra-Ataca (2001), não mostraram tanto vigor como o primeiro O Balconista. Aqui também o diretor parece não se encontrar. Ora lida com um sentimentalismo tocante – até comum em seu universo -, ora parece fazer concessões ao público de American Pie, incluindo escatologias e até zoofilia.
Há algo de interessante meio perdido em O Balconista 2. Em certos momentos, o filme parece falar da desilusão de uma geração – daqueles que eram jovens nos anos 80, e agora chegam ao novo século sem muitas perspectivas, enterrando suas vidas no subúrbio, em empregos sem futuro. Mas tudo isso está envolto em tanta bobagem, que é preciso cavar muito para se chegar lá.
