Pode ser estranho, mas muita gente poderá sorrir ao ver um rato num restaurante ao invés de chamar a vigilância sanitária. Isso pode acontecer ao menos quando se assiste a esta saborosa animação. O novo filme da Pixar tem os ingredientes certos para agradar a diversos paladares: romance, drama, comédia e muita comida francesa.
A Pixar, que se estabeleceu nos últimos anos como um dos mais importantes estúdios da atualidade e foi comprado pela Disney, costuma combinar em seus projetos animação de ponta e bons roteiros, que dialogam tanto com o público infantil, quanto com os adultos. Em Ratatouille não é diferente.
Depois de dar emoção a animais aquáticos de sangue frio em Procurando Nemo e transformar latas velhas em criaturas adoráveis em Carros, a Pixar coloca como protagonista do filme um rato. Roedores não são nenhuma novidade no cinema. Porém, aqui, Remy (com a voz de Patton Oswalt, na versão original; e Phillipe Maia, na dublada em português) consegue incorporar elementos novos e juntar-se com estilo a uma galeria formada por Mickey Mouse, Jerry e Fievel.
Remy é um rato do campo, que não se contenta em comer as porcarias do lixo, como o resto de sua família. Com gosto refinado, ele prefere queijos e pratos mais apurados, com bons temperos e toques especiais. Por conta de uma série de desventuras, ele se perde do grupo e se descobre no esgoto de Paris, sozinho.
Com a morte do chef Auguste Gusteau (Brad Garrett/José Santa Cruz), para quem qualquer um pode cozinhar, o seu fino restaurante parisiense fica à deriva, apesar dos esforços do maquiavélico Skinner (Ian Holm/Marcio Simões), que sonha em tornar-se mais famoso do que o patrão. Porém, Remy com seu talento nato para cozinhar é quem acaba fazendo arte com uma sopa do estabelecimento. Quando o rato é descoberto, cabe a um jovem ajudante, Linguini (Lou Romano/Thiago Fragoso), livrar-se da peste.
O rapaz não consegue matar o ratinho e surge uma inusitada amizade entre os dois. Eles acabam criando um artifício para que o roedor oriente seu novo amigo na culinária: ele se esconde sob o seu chapéu, puxando seus cabelos como se fossem cordões de marionete. Assim guiado pelo ratinho oculto, Linguini consegue cozinhar finas iguarias, ganhando a posição de chefe, para desespero de Skinner. Também surge um romance entre o novo cozinheiro e uma das funcionárias do restaurante, Collette (Janeane Garofalo/Samara Felippo).
Ainda resta uma prova de fogo à dupla Linguini e Remy: o crítico gastronômico Anton Ego (Peter O'Toole/Lauro Fabiano). Um dos mais influentes de Paris, ele já chegou a destruir a reputação de Gusteau, o que acabou custando a perda de uma estrela na cotação do restaurante. Agora, os novos chefs devem esforçar-se para conquistar o paladar do difícil jornalista.
Dirigido e roteirizado por Brad Bird (Os Incríveis), Ratatouille fala de temas que são comuns aos filmes da Disney, como amizade, valores familiares e valorização dos sonhos sem que se perca a própria identidade.
Como é costume nas animações da Pixar, há uma atenção especial aos detalhes e movimentos corporais dos personagens. No filme, Paris aparece como a Cidade-Luz, cheia de cores e brilhos, quase tão real quanto a verdadeira.
Na culinária, ratatouille é um prato simples, típico das regiões campestres da França e feito apenas com alguns legumes, como berinjela e pimentão. Os paladares mais sofisticados costumam encará-lo como uma iguaria menor. Já no cinema, Ratatouille é uma das animações mais sofisticadas dos últimos tempos.
