Depois do sucesso de Todo Poderoso (2003), Morgan Freeman retoma o papel de Deus nesta seqüência dirigido novamente por Tom Shadyac, mas sem a presença de Jim Carrey. Com elenco afinado, mesmo que as aparições de Freeman sejam poucas (não se pode esquecer que a presença de Deus está nas mínimas coisas), as confusões que arruma para Evan são suficientes para que o filme não perca o ritmo e provoque uma sucessão de momentos divertidos, envolvendo um servidor nem tão fiel assim. Preste atenção às inúmeras piadas envolvendo Deus e alguns personagens bíblicos.
Evan é o típico político novato que terá de se adaptar aos veteranos e seguir a cartilha deles se quiser solidificar sua carreira. Faz parte do baixo clero (como esses políticos são conhecidos no Brasil) que luta para se tornar visível e influente, mas, no fim das contas, serve apenas para negociar seu apoio nos momentos decisivos de votação de projetos importantes ou polêmicos.
Evan vê sua chance de ouro ao ser cortejado pelo veterano congressista Long (John Goodman), que consegue um espaçoso gabinete para ele e seus assessores e pede seu voto num projeto que permitirá a construção de empreendimentos imobiliários em zonas florestais que deveriam ser preservadas. Evan apóia-o, sem saber o que está por trás da iniciativa.
Desde seu primeiro dia no Congresso, coisas misteriosas acontecem com o parlamentar. Primeiro recebe pelo correio uma caixa com ferramentas de carpintaria. Em seguida, um carregamento de madeira e, para coroar sua perplexidade, a visita de um homem misterioso que lhe encomenda a construção de uma arca com o material recebido. Julgando ser vítima do estresse a que está submetido pelas novas funções, Evan ignora a determinação e, só depois de muitas visitas e aparições do homem e das muitas confusões que se seguem, admite que está recebendo a encomenda de Deus. E não pode falhar. Como Deus escreve certo por linhas tortas, ainda vai demorar para que Evan saiba porque a construção da arca é tão urgente e necessária.
Por mais estúpido que ele seja, não demora a compreender que será uma espécie de Noé, com a tarefa de reunir exemplares de animais para uma operação de salvamento iminente. Ridicularizado pela imprensa, pela sociedade, pelos políticos e com o casamento em risco diante de um comportamento tão exótico, Evan vai ter de dar conta do recado. Os inúmeros animais que começam a se aproximar de sua casa à espera da conclusão do barco convencem-no a se apressar.
A utilização de macacos, aves, répteis até elefantes e girafas são uma atração à parte no desenrolar da história. Numa das cenas iniciais, Evan é seguido por centenas de aves que fazem uma referência hilariante ao clássico de Alfred Hitchcock, Os Pássaros, que levam o terror a uma pequena localidade. Só que em vez de ameaçá-lo, o máximo que as aves conseguem é emporcalhá-lo diante de seus colegas.
