21/06/2026
Comédia Drama

A Festa de Margarette

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Em seu longa de estréia, A Festa de Margarette, o diretor gaúcho Renato Falcão volta às origens do cinema, ousando fazer um filme mudo, em preto-e-branco e a 18 quadros por segundo, para contar a história de um operário, Pedro (o músico e ator Hique Gómez), que sonha dar uma festa de aniversário para sua mulher, Margarette (Ilana Kaplan).

Deve muito a Charles Chaplin o tom da narrativa, que aborda as desigualdades sociais quando mostra o operário numa moradia precária na periferia de uma cidade, dividindo um barraco com outra família, como a dele, cheia de filhos. O despojamento destes excluídos é mostrado com eficiência visual por exemplo no ônibus dividido em duas classes, a primeira na frente, com direito a poltronas estofadas e bandeja de salgadinhos e a segunda, no fundo, onde os trabalhadores se amontoam como bóias-frias nos caminhões dos sertões remotos do Brasil.

Nem por inserir esta crítica social, o filme perde de vista o clima de fantasia e humor. Assim, constrói imagens poderosas em torno do sonho de Pedro, que ficou desempregado. Em sua fantasia, porém, o operário consegue uma enorme quantia em dinheiro, que lhe permite ganhar a amizade de um taxista, que será seu guia num banho de loja no shopping, de onde sairá com muitas roupas e presentes para a sonhada festa da mulher.

Um toque anárquico que certamente teria agradado também a Chaplin mostra o operário dividindo um resto do dinheiro ao vento com outros deserdados da sorte, como os meninos de rua. Compensando a falta de diálogos, a música ágil de Hique Gómez, constituída de ritmos brasileiros como o chorinho, anima o filme, que é agradável de se ver, embora aposte numa linguagem rara no panorama do cinema moderno brasileiro.

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