Comparações são inevitáveis e virá à mente o recente Nove Canções (2004), de Michael Winterbottom. E aí Deite Comigo começa a perder. Lauren, sua protagonista, foi modelo dos 13 aos 19 anos. Seu parceiro no filme, Eric Balfour, freqüenta elencos de seriados de televisão, como o famoso A Sete Palmos. Juntos, eles dão credibilidade à fome de amor dos jovens personagens que interpretam. Mas não demora muito, o jogo soa um tanto vazio. Culpa do roteiro, especialmente.
Funciona até certo ponto para dar mais consistência ao filme a descrição das histórias familiares de cada um. Leila (Lauren) está abalada pelo iminente divórcio de seus pais. David (Eric) tem de dedicar-se um bocado a um pai doente e não resolveu bem seu rompimento com outra namorada. O casal equaciona todas as angústias no sexo, mas há um momento em que isto não os satisfaz mais. É preciso ir além. Leila hesita mais do que ele.
O filme coloca em questão uma boa problemática, mas está longe, muito longe de constituir um retrato de geração, como a produção francesa Amantes Constantes, de Philippe Garrell, e o brasileiro Cão sem Dono, de Beto Brant. Cai, assim, num lugar comum e não encontra onde ir. Vira um programa meio voyeur, a ser facilmente esquecido.
