O recurso cômico da presença de Mãe Natureza em pessoa, interpretada pela atriz britânica Tracey Ullman (Trapaceiros), quase põe tudo a perder. A primeira participação dela, um longo monólogo na primeira cena, chega a assustar. “Se o filme for por aí, caio fora”, poderá pensar o espectador. É bom resistir a este primeiro impulso. A história melhora muito depois. As participações de Mãe Natureza, como uma espécie de consciência negativa de Michelle Pfeiffer, conseguem ser, finalmente, engraçadas – quase sempre.
La Pfeiffer interpreta Rosie, roteirista principal de uma série de TV, programa um tanto cretino, mas de muito sucesso. Sua vida profissional vai bem, a pessoal, nem tanto. Divorciada de um gordinho xereta (Jon Lovitz), ela vive com a filha pré-adolescente, Izzie (a ótima Saoirse Ronan). Há anos, Rosie não tem um namorado. Até que redescobre a paixão com um jovem ator, Adam (Rudd), que vem fazer teste para um papel na série.
Rosie tem total consciência da cobrança da sociedade em casos como o seu – e que é o exato inverso da situação homem maduro/mulher jovem. Assim, depois de alguns encontros com o bonitão, que é inteligente e gracinha, ela ouve Mãe Natureza e acha que tudo vai dar errado. É melhor se proteger e cair fora. O lindinho resiste...
Não tem cabimento entregar o final desta comédia romântica, que é bem simpática. Vale chamar a atenção para a filha de Michelle no filme. A irlandesinha Saoirse, de 14 anos, vista nas séries britânicas Proof e The Clinic, é ótima. Ela oferece um ótimo contraponto na história, porque vive seu primeiro amor. Repare nela. A menina promete.
